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#1881206
Texto da Questão:

Leia o Texto III para responder à questão.


Texto III 

    “Uma jarra de vidro, uma cesta de palha, um vestido rústico de musselina, uma bandeja de madeira: objetos belos, não apesar de sua utilidade, mas por causa dela. Sua beleza lhes é inerente, como o perfume ou a cor das flores. É inseparável de sua função: são coisas belas porque são coisas úteis. O artesanato pertence a um mundo anterior à distinção entre o útil e o belo. Tal distinção é mais recente do que se imagina. Muitos dos artefatos que chegaram até nossos museus e coleções particulares pertenciam a um mundo no qual a beleza não era um valor isolado e autônomo. A sociedade era dividida em dois grandes domínios: o profano e o sagrado. Em ambos, a beleza era uma qualidade subordinada: no domínio do profano, subordinada à utilidade do objeto em questão, e no domínio do sagrado, ao seu poder mágico. Um utensílio, um talismã, um símbolo: a beleza era a aura em torno do objeto, resultante – quase sempre involuntariamente – da relação secreta entre sua forma e seu significado. Forma: o modo como uma coisa é fabricada; significado: o propósito para o qual é fabricada.”

PAZ, Octavio. O Artesanato. Arte na Omaguás. Disponível em: http://arteomaguas.wordpress.com/o-artista-e-o-artesao-feirao-maguas-artesanato-arte-feira-de-artesanato-norma-nacsa-pinheiros-passeios-merleau-ponty/o-artesanato-otavio-paz/ Acesso em 15/08/2013

O Texto, do escritor mexicano Octavio Paz, aborda a noção de artesanato num sentido que não a distancia da noção corrente de arte, enquanto criação associada ao universo estético. Artefatos, souvenirs e coleções vendidos nas feiras e nas praças das grandes cidades brasileiras, nos finais de semana, compõem esse universo, mas são normalmente considerados por seus consumidores como obras de valor inferior àquelas da “grande arte”. Isto se justifica:

  • por corresponder a uma separação consagrada numa hierarquização social e cultural contemporânea que distingue, de forma arbitrária, a cultura erudita da cultura popular.
  • porque o belo não pode depender da utilidade. Qualquer obra com intenção artística e característica funcional perde estatuto de arte e fica relegada ao campo do artesanato.
  • por ser a grande arte dotada de elevação estilística que a separa de modo abissal das criações artesanais, que são produções realizadas por não especialistas sem qualquer formação acadêmica.
  • porque as obras artesanais têm somente um valor cultural e antropológico. Isso explica a existência de coleções em museus de artefatos de civilizações antigas que são apresentadas como sua cultura.
  • pelo sentido sagrado, a aura transcendental de objetos artesanais que os remetem ao domínio da experiência religiosa, separandoos do universo mundano e antropocêntrico das artes.
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