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A pintura A Redenção de Cam (1895), criada pelo artista plástico espanhol Modesto Brocos (1852-1936) faz parte do acervo do Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro durante sua passagem pelo Brasil enquanto professor na Escola Nacional de Belas Artes, e foi mobilizada no início do século XX como evidência visual de um projeto politico e cientifico de nação que deveria embranquecer e civilizar-se. Observe atentamente a imagem, na qual é possível observar uma imagem a mostrar quatro gerações representadas como trajetória do processo de embranquecimento, articulada ao discurso cientifico da época, usado como prova visual por Lacerda no Congresso das Raças, em Londres, sustentando a ideologia do branqueamento. Em seguida, leia atentamente o excerto do ensaio: A libertação de Cam — discriminar para igualar. Sobre a questão racial brasileira, das historiadoras brasileiras Maria Bernardete Ramos Flores e Sabrina Fernandes Melo:

Figura 1. A Redenção de Cam. 1895, óleo sobre tela. Modesto Brocos. Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

A obra pictórica Redenção do Cam (1895) de Modesto Brocos y Gomes já serviu a diversos cientistas sociais, antropólogos, historiadores, para ilustrar a ideologia do branqueamento do Brasil. O quadro retrata uma avó negra, a filha mulata, o genro e o neto brancos. De fato, trata-se de uma representação acabada da política de miscigenação apregoada para fazer desaparecer o negro brasileiro, sem destruir Cam, o filho amaldiçoado de Noé (Gênesis 9: 18- 19), e sem desaguar na violência que marcou o fim da escravidão nos Estados Unidos. Quando o diretor do Museu Nacional, João Batista de Lacerda, foi participar do Congresso Universal das Raças (1911), em Londres, levou consigo o quadro de Brocos y Gomes para demonstrar sua tese Sur les métis au Brèsil [Sobre os mestiços do Brasil]. Nesta, impressa, há uma reprodução de Redenção do Cam, acompanhada da seguinte legenda: “O negro passando ao branco, na terceira geração, por efeito do cruzamento de raças” (Seyfeth, 2011, p.62-67).

Ao considerar a figura A Redenção de Cam e o excerto de Bernardete Flores e Sabrina Melo, assim como o contexto intelectual, racial e social do contexto retratado, e a cena representada no quadro, assinale a alternativa correta:  

  • A pintura foi levada a Londres por um representante do Museu Nacional para demonstrar, em um congresso racial, a expectativa de que o cruzamento de “raças” produziria o desaparecimento gradual da população negra por meio do embranquecimento geracional.
  • O quadro serviu como prova visual da superioridade civilizatória indígena no debate racial, sustentando a tese de que a urbanização fortaleceria a autonomia das populações negras.
  • A obra foi utilizada por cientistas sociais como crítica direta ao colonialismo europeu, defendendo a manutenção das matrizes culturais negras como núcleo do Estado republicano.
  • A obra simboliza a rejeição brasileira à miscigenação, argumentando que o fim da escravidão no Brasil ocorreu sem violência, porque o país adotou uma política oficial de segregação racial.
  • A imagem ilustra o triunfo do movimento abolicionista negro no Brasil, comprovando que as elites republicanas defendiam a reparação racial imediata no pós-abolição como pacto de nação.
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