"Ascende", dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para
cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam "Sobe
ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia
"Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A
segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas
como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo.
Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..."
ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei". Nem todo
o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando
comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador,
ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam,
respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em
escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse,
um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E
quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador
antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que
têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem ― eu também
canto!"
Fonte: https://www.culturagenial.com/cronicas-engracadas-deluis-fernando-verissimo-comentadas/. Acesso em 21/09/2023
No trecho “[...] não se importava embora o seu sonho fosse,
um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados”, a
conjunção indicada introduz uma oração subordinada adverbial:
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