O tema negro não é único ou obrigatório, nem se
transforma em uma camisa de força para o autor
afro-descendente, o que redundaria em visível
empobrecimento. Por outro lado, nada obriga que a matéria
ou o assunto negro estejam ausentes da escrita dos brancos,
atraídos desde cedo pela busca do exótico e da cor local. Nas
primeiras décadas do Modernismo, auge da moda
primitivista e negrista na literatura e nas artes de vanguarda,
ocorrem inúmeras apropriações, incorporadas a textos hoje
clássicos, apesar da advertência de Oswald de Andrade
contra a “macumba para turistas”. Por isto mesmo, é preciso
enfatizar que a adoção da temática afro não deve ser
considerada isoladamente e, sim, em sua interação com
outros fatores, como autoria e ponto de vista.
Eduardo de Assis Duarte. Literatura afro-brasileira:um conceito em
construção. In: Estudos de literatura brasileira contemporânea, n.º 31,
2008, p. 14 (com adaptações).
Considerando o texto acima e os diversos aspectos relacionados à literatura afro-brasileira, julgue o item. A atração dos autores brancos pelo exotismo ao tratar
do tema negro, referida pelo autor do texto, é criticada
no fragmento a seguir, de Meu negro (publicado em
2018), do poeta Ricardo Aleixo: “Sou o que quer que
você pense que um negro é. Você quase nunca pensa a
respeito dos negros. Serei para sempre o que você quiser
que um negro seja. Sou o seu negro. Nunca serei apenas
o seu negro. Sou o meu negro antes de ser seu”.
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