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#2117996

Foi só com a proximidade do fim da escravidão e da própria monarquia que a questão racial passou para a agenda do dia. Até então, enquanto “propriedade”, o escravo era por definição “o não-cidadão”. No Brasil, é, portanto, com entrada das teorias raciais que as desigualdades sociais se transformam em matéria da natureza. (SCHWARCZ, Lilian Moritz. Nem preto nem branco, muito pelo contrário: cor e raça na intimidade. In.: SCHWARCZ, Lilian. História da vida privada no Brasil: contrastes da intimidade contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p.186)
A discussão sobre a “questão racial” no Brasil, após abolição da escravidão, revestiu-se

  • de uma releitura particular das teorias raciais, na medida em que a posição assumida por especialistas encaminhou-se para a restrição à imigração sob o argumento de preservação das características originais do povo brasileiro.
  • de um simultâneo processo de absorção da ideia de que as raças significavam essências e da negação da noção de que a mestiçagem levava sempre à degeneração dos indivíduos constituintes da nação.
  • de uma integração entre modelos evolucionistas, crentes na evolução da humanidade em etapas definidas, e um posicionamento de radical negação do darwinismo social, que negava um futuro na miscigenação racial.
  • de um posicionamento hegemônico no qual se negou uma avaliação positiva do processo de miscigenação racial, ainda que para promover a defesa de um gradual processo de “branqueamento” da população.
  • da crença de que o futuro brasileiro conduziria, inevitavelmente, a uma nação branca, além da definição dos grupos raciais pelo seu genótipo, o que possibilitava pensar cada indivíduo como pertencente a uma determinada coletividade racial.
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