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#2059946
Texto da Questão:

TEXTO 02


      Nos últimos 50 anos e em especial a partir da década de 1980, professores de português e pesquisadores da língua têm feito a crítica do ensino tradicional de português (...). Houve e continua havendo esforços para construir alternativas a esse ensino. Não obstante, o quadro pedagógico tem mudado pouco. Talvez porque ainda não tenhamos conseguido fazer e disseminar, com todas as letras, a crítica radical ao normativismo e à gramatiquice.

      E essa não é uma tarefa fácil, porque o normativismo e a gramatiquice não são apenas concepções e atitudes ligadas à língua e seu ensino. Pelo seu caráter conservador, impositivo e excludente, o normativo e a gramatiquice são parte intrínseca de todo um conjunto de conceitos, atitudes e valores fundamentalmente autoritários, muito adequados ao funcionamento de uma sociedade profundamente marcada pela divisão social.

      O ensino de português, nesse sentido, não está separado da sociedade que o justifica e o sustenta. Desse modo, criticá-lo é também criticar essa mesma sociedade: agir para mudá-lo é também agir para transformar a sociedade.

      De saída, temos de ter sempre claro que a questão da língua é, fundamentalmente, uma questão política e como tal deve ser tratada.

      (...) 

(FARACO, C. A. Norma culta brasileira: desatando alguns nós. São Paulo: Parábola editorial, 2008, p. 158) 

Quanto à posição do autor sobre o tema em debate, no texto, o ensino de língua e as práticas pedagógicas, nesse sentido,

  • Efetivam-se sob um paradigma funcionalista pautado na gramatiquice, por isso cumprem seus objetivos.
  • Adotam uma perspectiva normativo-prescritiva já que essa orientação é secular e vem dando conta do cumprimento de suas tarefas quanto à aprendizagem e desenvolvimento da escrita por parte dos aprendizes.
  • Desenvolvem-se fortemente em bases tradicionais, atrelados a uma política que visa à inclusão e à igualdade de oportunidades para seu povo.
  • São dissociadas de uma política de natureza inclusiva, apesar de seguirem orientações de paradigmas sociointeracionais.
  • Efetivam-se em bases prescritivas e em modelos tradicionais ineficientes para o cumprimento dos seus objetivos primordiais: desenvolver a competência comunicativa dos usuários da língua.
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