Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor. Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água.
Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se
a contemplarmos bem. Sendo eu o autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor
empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava
atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!
Andrade, Carlos Drummond de. Contos plausíveis. Rio de Janeiro: Record, 1991. Adaptado.
Sujeito oculto “é aquele que não está materialmente expresso na oração, mas pode ser identificado”.
Cunha, C.; Cintra, L.F.L. Nova gramática do português contemporâneo. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 127.
No texto, são orações ou períodos com sujeito oculto, EXCETO:
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