No início do século 21, o mundo todo observa uma série de transformações lingüísticas dramáticas, que segundo o
pesquisador David Crystal marca uma nova era na evolução da linguagem humana. Ele diz que três importantes tendências são
responsáveis por essas alterações: a emergência do inglês como primeira língua global de fato, a crise enfrentada por muitas
línguas ameaçadas de extinção e o efeito da internet sobre a linguagem, que oferece uma terceira forma de comunicação,
diferente da fala e da escrita e motiva o surgimento de variedades lingüísticas novas. “Pode parecer um truísmo, mas é necessário
que se diga: numa era de comunicação global, todos precisam ter consciência da língua”, afirma Crystal.
(Estado de S. Paulo, 19 fev. 2006.)
Fluente em inglês deixa de ter ‘vantagem econômica’
A histórica vantagem econômica dos falantes nativos de inglês está com os dias contados, uma vez que a língua está
perto de se tornar uma habilidade universal. É o que demonstra estudo encomendado pelo British Council (organização
internacional oficial do Reino Unido para assuntos culturais e educacionais).
O estudo prevê que em pouco tempo o mercado de trabalho não verá mais a língua inglesa como um diferencial na
contratação de profissionais: habilidades como o domínio do mandarim e do espanhol serão tão exigidas quanto a fluência em inglês.
De acordo com David Graddol, lingüista especializado em educação para estrangeiros e autor do relatório, os
profissionais terão de oferecer mais do que domínio desse idioma. “Estamos em um mundo em que, se você vai para uma
entrevista de emprego somente com o inglês, isso não será o suficiente. As empresas esperam algo mais do candidato e exigem,
além de um excelente domínio do inglês, o domínio de outras línguas também”, afirma.
Graddol diz ainda em seu relatório que o inglês, a segunda língua mais falada no mundo, já foi completamente
incorporada por governos, universidades e nos ambientes de negócios e que nem sempre os falantes nativos são bem-vindos.
“Em organizações em que o inglês já é uma língua incorporada, as reuniões correm melhor quando não há falantes nativos
presentes”, avalia Graddol, que considera que em países como os da Ásia, existe uma preferência por professores de inglês que
não sejam falantes nativos. “Professores da Bélgica, por exemplo, são mais bem aceitos pelos estudantes do que os vindos do
Reino Unido e dos Estados Unidos”, completa.
Companhias americanas e inglesas especializadas em material didático para estudantes da língua também podem perder
mercado diante dessa tendência: a demanda por livros com uma linguagem mais próxima da de outras realidades é cada vez
maior. Em poucos anos, haverá cerca de 2 bilhões de pessoas cuja língua nativa não é o inglês estudando o idioma. O estudo de
Graddol recomenda que Reino Unido e EUA invistam em material especializado para estudantes estrangeiros para suprir a
crescente demanda.
(Folha de S. Paulo, 15 fev. 2006.)
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