Considere o texto a seguir para responder à questão.
A culpa não é da internet
Problemas modernos não são responsabilidade da
tecnologia, mas do mau uso que fazemos dela
São várias as queixas: estaríamos ficando superficiais,
desatentos, desmemoriados, desinteressados. De quem é a
culpa? Dizem que da internet, do mundo moderno, das novas
tecnologias, disso tudo junto. Segundo alguns trabalhos
publicados em livro e rapidamente alardeados pelos
jornalistas, falta de atenção é consequência de janelas
demais piscando no monitor, a abundância de informação é
um convite à superficialidade, falta de memória é o “efeito
Google”, falta de tempo é culpa de e-mails demais por
responder. Para eles, nosso cérebro é vítima das
circunstâncias modernas. Eu discordo veementemente. Não vejo problema no que o
mundo moderno faz com nosso cérebro – pelo contrário, só
vejo coisas boas na facilidade de acesso a notícias, na
facilidade de contato com amigos e parentes distantes, na
profundidade de informação que hoje podemos obter. Para
mim, o problema está em nós mesmos: em como nos
deixamos sucumbir a tentações e imposições que nos são
apresentadas através das novas tecnologias.
Para começar, não vejo como “a internet” poderia reduzir
nosso tempo de atenção sustentada e tornar nosso
conhecimento superficial. É preciso muita atenção focada
para passar horas ininterruptas em frente a videogames, e,
além do mais, sites de busca, Wikipédia e jornais
internacionais acessíveis às pontas dos seus dedos permitem
a qualquer um se tornar um profundo conhecedor de política
internacional ou biologia das fossas abissais sem sair de
casa. Aprofundar-se ou surfar superficialmente é uma
questão do uso que se escolhe fazer de um mundo inteiro,
agora, navegável.
O mesmo se aplica à memória. A tecnologia nos permite
terceirizar facilmente nossa memória, delegando-a à agenda
do celular, que guarda nossos contatos, endereços e
compromissos, e à memória coletiva da Wikipédia e tantos
outros sites acessíveis via internet. Quem de fato ainda tenta
memorizar números de telefone?
O problema é que, sem tentar, não há como memorizar o que
quer que seja – e, sem exigir da sua memória, não há como
mantê-la tinindo. A memória não depende de simples
exposição à informação, e sim do processamento ativo dela,
que precisa receber atenção, ser associada a outras
informações, e ainda ser considerada importante pelo
cérebro. Se não for importante, não entra para a memória.
Portanto, não há como se lembrar de um número de telefone
que você apenas o digitou em seu celular!
Também não é verdade que a internet nos deixe desatentos
ao fornecer “informação demais”. Nossa atenção já é limitada
– e pelo próprio cérebro: só conseguimos nos concentrar em
uma coisa de cada vez. Por causa dessa limitação, sempre
há mais informação disponível do que conseguimos
processar – e isso não é culpa da internet. Por outro lado,
conhecendo essa limitação, quem tem problemas para se
manter focado pode se ajudar reduzindo o número de tarefas
disputando sua atenção a cada instante, por exemplo,
reduzindo o número de janelas abertas em seu computador.
O mesmo vale para o e-mail, que acelerou a velocidade das
trocas por escrito – e, ao contrário das predições catastróficas
da época em que surgiu, hoje nos faz escrever mais do que
anteriormente. Recebemos e-mails às dúzias por dia, muitos deles nos cobrando respostas imediatas. E aqui está mais um
mau uso da tecnologia, culpa nossa: poder responder
imediatamente a e-mails não significa ter de fazê-lo na hora,
encorajando a cobrança alheia. Nossos problemas modernos
não são culpa da tecnologia, mas do (mau) uso que fazemos
dela
Portanto, não há como se lembrar de um número de telefone
que você apenas o digitou em seu celular!
No excerto do texto acima, por qual vocábulo abaixo a
palavra grifada pode ser substituída, sem que haja alteração
de seu sentido?
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