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#3120600
Texto da Questão:

Leia o Texto 3 para responder à questão.


Texto 3


Se as palavras tivessem sempre um sentido óbvio e único, não haveria literatura, não haveria mal-entendido e controvérsia. Se as palavras tivessem sempre o mesmo sentido e se indicassem diretamente as coisas nomeadas, como seria possível a mentira? É por isso que o poeta Fernando Pessoa, em versos famosos, escreveu: 

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor,

A dor que deveras sente.

O poeta é um “finge-dor”, e seu fingimento — isto é, sua criação artística — é tão profundo e tão constitutivo de seu ser de porta, que ele finge — isto é, transforma em poema, em obra de arte — a dor que deveras ou de verdade sente.


CHAUI, M. Convite à Filosofia. 12. ed. São Paulo: Ática, 1999, p. 96-97.

O processo de formação de palavras da nossa Língua Portuguesa conta com o recurso do uso do hífen. A propósito, no texto aparece a expressão “mal-entendido”, que está grafada corretamente porque deve haver hífen

  • nos compostos que tenham o prefixo “mal-”, uma vez que se exige hífen antes de vogais e das consoantes h e l, como acontece em “mal-intencionado”, “mal-humorado” e “mal-lavado”.
  • em palavras compostas que não constituem uma unidade sintagmática, indicando, nesse caso, uma diferença semântica entre as palavras “mal” (adjetivo) e “mau” (advérbio).
  • nos compostos em que o falso prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa por consoante, diferenciando o substantivo “mal entendido” do advérbio “mal-entendido”.
  • em palavras compostas que tenham o prefixo terminado em consoante e o segundo elemento, por sua vez, começar por vogal, tal qual temos no advérbio de modo “mal-estar”.
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