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#3195452
Texto da Questão:

A última crônica

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
[Trecho inicial do texto A última crônica, de Fernando Sabino]. Disponível em: https://contobrasileiro.com.br/a-ultima-cronica-fernando-sabino/. Acesso em: 03 jan. 2024.

A partir da leitura do texto, é possível deduzir que:

  • O narrador é um cliente assíduo daquele botequim e costuma escrever suas crônicas a partir dos episódios que assiste acontecer ali naquele local.
  • O narrador é um escritor adiando o momento de escrever, em busca de inspiração para produzir mais uma crônica.
  • O narrador é um poeta, angustiado pela falta de inspiração para continuar escrevendo, por isso vagueia pela cidade adiando o momento de escrever.
  • O narrador se coloca como espectador da vida alheia, a fim recolher material para a coluna de notícias do jornal onde trabalha.
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