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#2353259
Texto da Questão:

Não há vagas

O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão.


O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras


– porque o poema, senhores,

está fechado: “não há vagas”

Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço


O poema, senhores,

não fede

nem cheira.

GULLAR, Ferreira. “Não há vagas”. In: Toda Poesia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980. 

A expressão “não cabe no poema” é repetida várias vezes ao longo do texto. Ao analisar o poema, sua temática e sua construção percebe-se que:

  • A repetição da expressão mostra que determinados elementos (listados ao longo do texto) não têm espaço na poesia e, por isso, não são tratados nela.
  • A repetição da expressão mostra que questões sociais devem ser temas discutidos em poemas.
  • A repetição da expressão mostra a necessidade de uma poesia mais refinada, que aborde assuntos sublimes e não questões da vida cotidiana.
  • Nenhuma das alternativas.
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