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#3481764
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir para responder à questão.


Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

– dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.


(PRADO, Adélia. Poesia reunida. São Paulo: Siciliano, 1995, p.11.)

A construção “Ora sim, ora não, creio em parto sem dor.” (L10) reflete:

  • Um erro gramatical, causado pela repetição inadequada do termo “ora”.
  • Um uso típico da norma culta, que privilegia estruturas fixas e previsíveis.
  • Uma variação histórica do português, que preserva marcas do português arcaico.
  • O uso de uma linguagem exclusivamente poética, desvinculada da oralidade cotidiana.
  • O uso de uma expressão marcada pela variação estilística, alternando afirmação e dúvida.
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