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#3660248
Texto da Questão:

O cajueiro
    
    O cajueiro já devia ser velho quando nasci. Ele vive nas mais antigas recordações de minha infância: belo, imenso, no alto do morro, atrás de casa. Agora vem uma carta dizendo que ele caiu. Eu me lembro do outro cajueiro que era menor, e morreu há muito mais tempo.
    Eu me lembro dos pés de pinha, do cajá- -manga, da grande touceira de espadas-de-são-jorge (que nós chamávamos simplesmente “tala”) e da alta saboneteira que era nossa alegria e a cobiça de toda meninada do bairro porque fornecia centenas de bolas pretas para o jogo de gude. Lembro-me da tamareira, e de tantos arbustos e folhagens coloridas, lembro-me da parreira que cobria o caramanchão, e dos canteiros de flores humildes, “beijos”, violetas. Tudo sumira; mas o grande pé de fruta-pão ao lado de casa e o imenso cajueiro lá no alto eram como árvores sagradas protegendo a família. Cada menino que ia crescendo ia aprendendo o jeito de seu tronco, a cica de seu fruto, o lugar melhor para apoiar o pé e subir pelo cajueiro acima, ver de lá o telhado das casas do outro lado e os morros além, sentir o leve balanceio na brisa da tarde.
    No último verão ainda o vi; estava como sempre carregado de frutos amarelos, trêmulo de sanhaços. Chovera; mas assim mesmo fiz questão de que Carybé subisse o morro para vê-lo de perto, como quem apresenta a um amigo de outras terras um parente muito querido.
    A carta de minha irmã mais moça diz que ele caiu numa tarde de ventania, num fragor tremendo pela ribanceira; e caiu meio de lado, como se não quisesse quebrar o telhado de nossa velha casa. Diz que passou o dia abatida, pensando em nossa mãe, em nosso pai, em nossos irmãos que já morreram. Diz que seus filhos pequenos se assustaram; mas depois foram brincar nos galhos tombados.
    Foi agora, em fins de setembro. Estava carregado de flores.

(BRAGA, Rubem. Melhores Contos. Seleção de Davi Arrigucci Jr. Global Editora – 11ª edição, 2001.)

De acordo com o texto, as expressões destacadas mantêm o mesmo valor semântico se substituídas pelas palavras a seguir indicadas, EXCETO em: 

  • “[...]sentir o levebalanceiona brisa da tarde.” (2º§) – aragem.
  • “Ele vive nas mais antigasrecordaçõesde minha infância:[...]” (1º§) – lembranças.
  • “Eu me lembro dos pés de pinha, do cajá-manga, da grandetouceirade espadas-de-são-jorge[...]” (2º§) – moita.
  • “[...]e acobiçade toda meninada do bairro porque fornecia centenas de bolas pretas para o jogo de gude.” (2º§) – ambição.
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