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#3111943

Apesar de todo o progresso urbano e tecnológico pelo qual passou a sociedade brasileira nas últimas décadas, e de todos os projetos e iniciativas dos governos no sentido de erradicar o analfabetismo, aumentar a escolarização da população e diminuir a repetência e a evasão escolar, a realidade de fracasso persiste. Isto é atestado não só pelas estatísticas oficiais que reconhecem a permanência de altos índices de evasão e repetência no ensino fundamental e médio, como também por jornais e revistas, que cotidianamente retratam a precariedade das escolas públicas e a insatisfação da população pobre com o ensino.

(Dimenstein, 2007; Azevedo, 2007.)


Por ser um problema tão antigo de nossa Educação, o fracasso escolar é também objeto de inúmeras discussões e debates científicos e políticos que buscam aumentar a compreensão e apontar uma solução (que sempre se deseja definitiva) para a questão. Neste sentido, várias ideias e teorias ofereceram explicações sobre as causas do fracasso escolar, tornando o tema um dos mais estudados na área da Educação e da Psicologia da Educação. Sobre os primeiros estudos e resultados apresentados no Brasil em relação ao fracasso escolar, está correto o que afirma se em:

  • Foram de cunho racista e médico. Essas explicações, fortemente influenciadas pelodarwinismosocial, baseavam-se em procedimentos antropométricos que buscavam produzir provas empíricas sobre a inferioridade de pobres e não-brancos, procurando justificar as diferenças sociais entre estes e a classe dominante.
  • Baseava-se na teoria da carência cultural que postula a ocorrência dos fatos devido à deficiência ou privação cultural do aluno em decorrência das suas precárias condições de vida. Essa teoria justifica um barateamento do ensino que acaba realizando a profecia segundo a qual os pobres não têm capacidade suficiente para o sucesso escolar.
  • Destacou-se a influência da psicologia diferencial que, baseada na análise das diferenças de desempenho existentes entre os indivíduos na sociedade, explicava o fracasso escolar a partir das diferenças individuais entre as crianças. Tais diferenças, no caso, podiam ser problemas físicos e sensoriais, intelectuais e neurológicos, emocionais e de ajustamento.
  • Atribuiu-se ao grau de maturidade psicológica, que se espera encontrar a resposta tanto para os problemas de aprendizagem quanto para os de indisciplina escolar que, não raros, são apontados como causa e consequência um do outro, pois a criança não aprende porque é indisciplinada, é indisciplinada porque não é suficientemente madura, fracassando na escola.
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