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Se o movimento operário pode ser considerado um movimento social de classe, isso significa que, historicamente, a ação reivindicativa da classe trabalhadora é inseparável dos objetivos políticos de longo prazo que animaram as suas lutas. Acresce que o sindicalismo foi, desde sempre, pautado pela diversidade das suas lógicas de atuação. O objetivo de conciliar a luta por melhorias salariais e de condições de trabalho com a missão de solidariedade internacionalista só em certas circunstâncias históricas teve algum sucesso. A penetração da doutrina marxista nos meios operários, designadamente na sequência das Internacionais Operárias, contribuiu para desenvolver uma identidade coletiva – “de classe” –, que se propunha a guiar os trabalhadores e a humanidade para uma sociedade liberta de injustiças: o socialismo.

(PANNEKOEK, A., 1936. O sindicalismo. Disponível em: Arquivo Marxista na Internet. Acesso em: 02/06/2024.)


Além do socialismo, uma outra concepção se inseriu nos meios operários, mudando muitas perspectivas de ação entre eles e no âmbito político: o anarquismo. Ambos, socialismo e anarquismo, tinham pontos semelhantes, mas algumas peculiaridades, tais como: 

  • Os socialistas buscavam a revolução como forma de se chegar ao comunismo; os anarquistas eram contrários a qualquer tipo de violência.
  • Os anarquistas queriam que a sociedade se organizasse sem autoridade, sem gestores; no socialismo, os operários deveriam assumir o poder estatal.
  • Os anarquistas preconizavam um mundo sem desigualdades sociais e sem capital; os socialistas aceitavam a discrepância nas propriedades privadas.
  • Os socialistas entendiam a divisão do mundo entre dominantes e dominados; os anarquistas só aceitavam a dominação política, mas não a hegemonia econômica.
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