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#2039600

O direito à literatura
   Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos de folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações.    Vista deste modo, a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há povo e não há homem que possa viver sem ela, isto é, sem a possibilidade de entrar em contato com alguma espécie de fabulação. Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável deste universo, independente da nossa vontade. E durante a vigília, a criação ficcional ou poética, que é a mola da literatura em todos os seus níveis e modalidades, está presente em cada um de nós, analfabeto ou erudito – como anedota, causo, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular, moda de viola, samba carnavalesco. Ela se manifesta desde o devaneio amoroso ou econômico no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance.    Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. (CÂNDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: ______________. Vários escritos. 3. ed. rev. e ampl. São Paulo: Duas Cidades, 1995. p. 169-191. Fragmento.)
Analisando-se o texto como um todo e sua estruturação em parágrafos, é correto afirmar que:

  • Ao lermos o último parágrafo, entendemos que nem todos precisam sonhar e mergulhar no universo da ficção e da poesia.
  • O título não condiz com o que é dito no corpo do texto, já que o assunto principal são as diversas manifestações culturais e literárias existentes.
  • O segundo parágrafo não se relaciona com o primeiro de modo claro, já que o primeiro versa sobre cultura e literatura e o segundo, sobre sonhos.
  • Como um parágrafo deve sempre, de modo explícito, fazer menção e continuar o que vinha antes, o terceiro parágrafo peca em coesão por abandonar o tema do sonho e se centrar em ficção e poesia.
  • Os dois últimos parágrafos estão coesos e coerentes em relação ao primeiro, pois explicitam os motivos pelos quais o autor considera a literatura uma necessidade universal e, por isso, um direito de todos.
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