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#3258161

A gagueira é um transtorno da fluência do neurodesenvolvimento com início na infância. A detecção e a intervenção precoces podem minimizar o prejuízo na fala e prevenir o surgimento de outras complicações. Além disso, há também possibilidade de evitar a sua instalação persistente, caso seja identificada logo nos períodos iniciais da manifestação. A criança com gagueira pode desenvolver dificuldades sociais, emocionais e comportamentais, além de possuir sentimentos negativos em relação à sua fala. Sobre a gagueira, assinale a afirmativa correta.

  • A gagueira desenvolvimental familial foi descrita na literatura como um possível subgrupo do distúrbio, cuja etiologia parece ser primariamente de origem ambiental, uma vez que nesses casos a criança tende a repetir padrões presentes em seu contexto social e ambiental. Aproximadamente metade dos casos de gagueira desenvolvimental persistente são desencadeados por fatores estressantes, sem necessariamente envolver histórico familiar positivo do distúrbio. O início predominante do distúrbio em idade pré-escolar sugere que fatores múltiplos relevantes são causados no processo desenvolvimental.
  • As disfluências típicas da gagueira manifestam-se principalmente com a ocorrência de bloqueios, prolongamentos e repetições, que permite o diagnóstico diferencial com outros transtornos da linguagem. Na história clínica da gagueira, é de extrema relevância que sejam investigados os fatores de risco para a sua cronicidade. Dentre eles, pode-se citar a idade, o gênero, o tipo de surgimento e o tempo de duração das disfluências, a tipologia das disfluências, os fatores comunicativos e qualitativos associados, o histórico mórbido pré, peri e pós-natal, o histórico familiar, os fatores estressantes que ocorreram próximo ao surgimento da gagueira, a reação pessoal, familiar e social, além das atitudes familiares.
  • A gagueira surge por volta dos quatro anos de idade, quando as redes neurais que sustentam o processo da fala fluente produzem sinais de controle instáveis, apresentando disfluências atípicas que podem estar suscetíveis às influências genética, epigenética e ambiental, caracterizando uma etiologia multifatorial e complexa. Estima-se que a incidência da gagueira entre as crianças menores de oito anos é muito menor do que em períodos posteriores da vida, variando no intervalo entre 3% a 5% na primeira infância, alertando para o período de desenvolvimento do transtorno em crianças com idades mais avançadas.
  • As consequências da gagueira ficam menos agravadas à medida que a idade da criança avança. Na fase inicial do surgimento, por volta dos quatro anos, é possível potencializar a recuperação da fluência da fala. Sabe-se que a gagueira tende a se cronificar a partir dos dez anos, refletindo diretamente no prognóstico clínico, uma vez que quanto mais tempo uma criança gagueja, mais improvável é a sua recuperação espontânea, implicando em intervenção tardia, piores prognósticos e aumento do tempo clínico de reabilitação. Entretanto, a cronificação da gagueira não está relacionada a menores chances de os indivíduos se tornarem adultos fluentes.
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