Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se e contente;
É um cuidar que ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões, Sonetos (Disponível em: https://www.tudoepoema.com.br/luis-vaz-de-camoesamor-e-um-fogo-que-arde-sem-se-ver/.)
O soneto “Amor é fogo que arde sem se ver” faz parte da
estética literária do Classicismo; tal movimento artístico foi
um contraponto à arte produzida na Idade Média. Em Portugal, Luís Vaz de Camões é um dos principais representantes do Classicismo. Este movimento artístico surgiu no contexto da Arte:
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