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#1863162

De 1990 a 2015, o número de pessoas com doença de Parkinson (DP) dobrou para mais de 6 milhões. Impulsionado principalmente pelo envelhecimento, esse número deve dobrar novamente para mais de 12 milhões até 2040. Fatores adicionais, incluindo aumento da longevidade, declínio das taxas de tabagismo e aumento da industrialização, podem elevar o fardo para mais de 17 milhões. Entre as diversas condutas terapêuticas para tratar e beneficiar esses pacientes, exercícios de dupla tarefa é uma modalidade de interferência cognitivo-motora, com a tarefa primária geralmente postural, em associação com outras tarefas, chamadas secundárias, que podem ser cognitivas ou motoras, com excelentes resultados, mas deve-se pensar na fundamentação dessa conduta e assim inferir que:

  • Osdeficitsna marcha associados com a dupla-tarefa em portadores de DP têm sido associados com o aparecimento das primeiras deficiências na marcha e com a severidade dos sintomas motores. Os distúrbios exacerbados em condições de dupla-tarefa ocasionam redução na velocidade da marcha, no comprimento do passo e diminuição na simetria e coordenação entre os passos direito e esquerdo.
  • Exercícios de dupla-tarefa não devem ser prescritos quando existe uma deterioração na marcha desses portadores de DP, principalmente por não garantirem segurança na marcha e propiciar um desequilíbrio e a possibilidade iminente de queda. Quando requeridas performances motoras ou cognitivas ligadas a uma tarefa secundária durante a marcha, não serão eficazes caso a pontuação na escala deHoehneYahrfor entre 1 e 3.
  • Pacientes com DP podem gerar padrões de movimentos normais quando focalizam no desempenho, ou seja, pensam para executar os movimentos. Desse modo, eles ativam a região do córtex pré-motor, intacto, sem recorrer ao circuito deficitário dos núcleos da base, que auxiliam na produção dos movimentos, resultando na perda da automaticidade do controle motor em tarefas como a marcha. Em situações de dupla-tarefa, a utilização desses recursos corticais para a realização de tarefas motoras pode comprometer o desempenho de ambas.
  • O mecanismo sugerido seria a degeneração dos neurônios dopaminérgicos nos gânglios da base que, segundo algumas pesquisas, têm diferentes funções motoras e cognitivas. Patologias que afetam os circuitos dos gânglios da base que possuem projeção para o córtex pré-motor podem contribuir paradeficitsde função executiva na DP – ou seja, essa degeneração pode estar associada adeficitsna marcha. Isso contribui com a ideia de que as complicações motoras e/ou cognitivas estão ligadas aos circuitos dopaminérgicos, e que osdeficitsde marcha durante a dupla-tarefa não podem ser melhorados pelas medicaçõesantiparkinsonianas.
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