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#2230221
Texto da Questão:

Leia o fragmento do poema a seguir de Cruz e Souza.

Antífona
Ó Formas alvas, brancas, Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras

Formas do Amor, constelarmante puras,
De Virgens e de Santas vaporosas...
Brilhos errantes, mádidas frescuras
E dolências de lírios e de rosas ...

Indefiníveis músicas supremas,
Harmonias da Cor e do Perfume...
Horas do Ocaso, trêmulas, extremas,
Réquiem do Sol que a Dor da Luz resume...

Visões, salmos e cânticos serenos,
Surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...
Dormências de volúpicos venenos
Sutis e suaves, mórbidos, radiantes...

Infinitos espíritos dispersos,
Inefáveis, edênicos, aéreos,
Fecundai o Mistério destes versos
Com a chama ideal de todos os mistérios.

Do Sonho as mais azuis diafaneidades
Que fuljam, que na Estrofe se levantem
E as emoções, todas as castidades
Da alma do Verso, pelos versos cantem.
[...]
(CRUZ E SOUZA, In: MOISÉS, Massaud.)

Pode-se afirmar que:

  • O objetivo poético é apresentado de forma direta e apurada conforme o modelo da estética parnasiana.
  • No poema, pode-se reconhecer características da poesia simbolista como a busca pelo vago, a mistura de sensações e a musicalidade.
  • Há uma sutil comparação entre o fazer poético e o trabalho feito com perfeição, apresentando como recurso o emprego da metalinguagem.
  • O poeta recorre a elementos da musicalidade com o objetivo de tornar o poema mais claro, compreensível e objetivo ao seu interlocutor.
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