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#3626953
Texto da Questão:

Texto 1


ARGUMENTAR NA REDE

Monica Graciela Zoppi Fontana


   A argumentação é um fato de linguagem tão presente no nosso dia a dia que nem sempre percebemos sua força. Ela está presente nas mais diversas relações cotidianas: em conversas entre amigos, familiares e desconhecidos, nas reclamações de quem se encontra em uma fila de espera e demanda atendimento, nas estratégias para conseguir agendar uma consulta médica, na discussão sobre uma nota com um professor ou sobre um preço com um vendedor e até mesmo em situações mais enquadradas por procedimentos institucionais, como um julgamento no tribunal do Júri.

   Argumentar é uma prática de linguagem que envolve uma relação entre os interlocutores e com a situação do dizer. Argumentamos a partir do já-dito, ou seja, dos sentidos já produzidos socialmente na história e presentes como memória discursiva. E ao argumentar estabelecemos uma relação particular com o não-dito e com o silêncio, pois a língua fornece a base material para essa prática.

   Argumentamos por meio de palavras (casebre, mansão, pouco, um pouco, muito e muitas outras presentes no léxico da língua). Sufixos e prefixos também participam na argumentação (contradiscurso, antibelicista, pseudointelectual), assim como diminutivos e aumentativos (carrão, favorzinho, mulherzinha, garotão). Temos ainda locuções adverbiais (mesmo que, só que, apesar de, tanto quanto, por exemplo) e frases idiomáticas (descascar um abacaxi, enfiar o pé na jaca). E ainda há interjeições com valor argumentativo (vixe!, credo!). Argumentamos também por meio da forma de construção dos enunciados (a ordem das palavras na frase, construções passivas ou ativas, elipses etc.). As diversas formas de encadeamento dos enunciados no texto têm valor argumentativo. Algumas palavras, como as conjunções (portanto, porém, entre outras), explicitam o tipo de relação argumentativa presente no encadeamento.

   Assim, a forma específica como os enunciados estão formulados afeta a interpretação, orientando o sentido produzido em uma determinada direção. Mas toda prática de linguagem é produzida por falantes constituídos enquanto tais em um tempo e um espaço específicos. Todo dizer é assim determinado pelos processos históricos e pelos espaços de enunciação nos quais é produzido. E isso afeta constitutivamente a argumentação.

   Nas novas tecnologias de linguagem, a argumentação ganha contornos diferenciados, por meio de funcionamentos próprios do digital, como hashtags, memes, gifs e vídeos. Algumas expressões que surgiram na internet atravessam as fronteiras das redes sociais e são incorporadas na oralidade pelos falantes em suas trocas linguageiras.

   A Linguística estuda essas questões e reflete sobre os diversos modos de argumentar ao longo do tempo e em diversos espaços de enunciação. Questões semânticas e discursivas devem ser abordadas para compreender melhor o funcionamento da argumentação nos dias atuais e para ponderar seus efeitos nas práticas de linguagem na sociedade.


Adaptado de: https://www.blogs.unicamp.br/linguistica/2017/08/16/argumentarna-rede/. Acesso em: 04 de abr. de 2025.

Considerando a situação de uma aula de língua portuguesa, em que o conteúdo é a argumentação da linguagem no eixo da análise linguística, assinale a alternativa na qual se verifica que as afirmações estão corretas e que as ações, a serem executadas pelo professor, estão em conformidade com o objetivo de desenvolver a compreensão sobre a argumentação da linguagem, por meio da prática de análise linguística. 

  • Iniciar pela leitura de textos do gênero artigo de opinião, por ser este o gênero de caráter mais argumentativo na esfera escolar, seguida por uma produção textual.
  • Enfatizar práticas de oralidade, como debate e júri simulado, por se compreender que o registro oral é a variedade em que a argumentação ocorre mais prototipicamente.
  • Partir do texto, objeto de leitura ou de produção, como lugar de interação, desenvolvendo observações e atividades sobre a organização dos argumentos textuais e o funcionamento gramatical.
  • Ensinar sobre a argumentação em diferentes gêneros, por meio de atividades metalinguísticas, as quais dizem respeito à observação dos aspectos de ordem discursiva, como as motivações dos sujeitos na interação.
  • Valorizar o estudo da argumentação em atividades epilinguísticas por meio das quais se proporciona aprendizagem sobre o funcionamento de estruturas morfológicas e sintáticas, como as conjunções, em gêneros argumentativos.
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