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#2250445
Texto da Questão:

Nossa bactéria interior

Hélio Schwartsman


      Se a consciência já parece bastante misteriosa quando tentamos circunscrevêla a um cérebro humano, ela fica ainda mais impenetrável quando se considera que a própria noção de corpo humano pode ser inadequada.

      Com efeito, já há alguns anos vem ganhando espaço na biologia e na medicina a ideia de que precisamos pensar o corpo humano não como uma entidade à parte, mas no conjunto de suas relações com o meio ambiente, em especial em relação a sua interação com espécies microscópicas com as quais vivemos em promiscuidade há dezenas de milhares de anos. Aqui, nós perdemos um pouco de nós para nos tornarmos um superorganismo, no qual outros seres vivos, notadamente aqueles que habitam nosso corpo, ganham importância.

      Inicialmente, esses modelos foram utilizados para explicar com certo sucesso a obesidade (as floras intestinais de gordos e magros têm composições diferentes), doenças do intestino e moléstias cardíacas. Mas os pesquisadores foram ficando ambiciosos e agora falam no eixo cérebro-intestino, que parece desempenhar um papel em várias doenças mentais, incluindo transtornos de ansiedade, do afeto, autismo e até mesmo surtos psicóticos e Alzheimer. Não é que bactérias causem essas moléstias, mas modulam a manifestação e a severidade dos sintomas.

      Particularmente interessante nesses modelos é que a flora intestinal é, em princípio, algo fácil de alterar com o uso de antibióticos, pro e prebióticos e de transplantes fecais. Já há quem fale em psicobióticos. É preciso dar um desconto ao entusiasmo dos pesquisadores, mas não há dúvidas de que é um campo promissor.

      Vale destacar quanto de complexidade esse modelo acrescenta a nós mesmos. Deixamos de ser um corpo composto por 10 trilhões de células comandadas por 23 mil genes para nos tornarmos um bioma ao qual se somam 100 trilhões de bactérias e 3 milhões de genes não humanos.

Adaptado de: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwarts-man/2017/12/ 1940148-nossa-bacteria-interior.shtml> . Acesso em: 11 dez. 2017.

Assinale a alternativa correta.

  • Em “[...]vivemosem promiscuidadehádezenas de milhares de anos.”, os verbos em destaque estão conjugados, respectivamente, no presente do subjuntivo e no pretérito perfeito do indicativo.
  • Em “[...] esses modelosforamutilizados paraexplicarcom certo sucesso a obesidade [...]”, o primeiro verbo em destaque está conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo e o segundo está na forma de infinitivo.
  • Em “[...] os pesquisadores foramficandoambiciosos e agorafalamno eixo cérebro-intestino [...]”, o primeiro verbo em destaque está conjugado no presente do indicativo e o segundo está conjugado no presente do subjuntivo.
  • Em “[...] nósperdemosum pouco de nós para nostornarmosum superorganismo [...]”, o primeiro verbo em destaque está conjugado no pretérito imperfeito do indicativo e o segundo está na forma de infinitivo pessoal.
  • Em “Não é que bactériascausemessas moléstias, masmodulama manifestação [...]”, o primeiro verbo em destaque está no presente do subjuntivo e o segundo está no presente do indicativo.
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