Cadernos de Questões

Provas Favoritas

Filtros Salvos

Foram encontradas 20 questões.
#3666151
Texto da Questão:

    Se a nossa existência não tem por fim imediato a dor, pode-se dizer que não tem razão alguma de ser no mundo. Porque é absurdo admitir que a dor sem fim que nasce da miséria inerente à vida e enche o mundo seja apenas um puro acidente, e não o próprio fim. Cada desgraça particular parece, é certo, uma exceção, mas a desgraça geral é a regra.

    Assim como um regato corre sem ímpetos enquanto não encontra obstáculos, do mesmo modo, na natureza animal, a vida corre inconsciente e descuidosa quando coisa alguma se lhe opõe à vontade. Se a atenção desperta, é porque a vontade não era livre e se produziu algum choque. Tudo o que se ergue em frente da nossa vontade, tudo o que a contraria ou lhe resiste, isto é, tudo o que há de desagradável e de doloroso, sentimo-lo ato contínuo e muito nitidamente. Não nos atentamos à saúde geral do nosso corpo, mas notamos o ponto ligeiro onde o sapato nos molesta; não apreciamos o conjunto próspero dos nossos negócios, e só pensamos numa ninharia insignificante que nos desgosta. – O bem-estar e a felicidade são, portanto, negativos, só a dor é positiva.

    Não conheço nada mais absurdo que a maior parte dos sistemas metafísicos, que explicam o mal como uma coisa negativa; só ele, pelo contrário, é positivo, visto que se faz sentir… O bem, a felicidade, a satisfação são negativos, porque não fazem senão suprimir um desejo e terminar um desgosto.

    Acrescente-se a isso que, em geral, achamos as alegrias abaixo da nossa expectativa, ao passo que as dores a excedem sobremaneira.

    Se quereis num momento esclarecer-vos a esse respeito, e saber se o prazer é superior ao desgosto, ou se apenas se compensam, comparai a impressão do animal que devora outro com a impressão do que é devorado.




SCHOPENHAUER, Arthur. As dores do mundo. Tradução de Jair Barboza. São Paulo: Martins Fontes, 2005. p. 1.

No trecho, Arthur Schopenhauer apresenta sua visão sobre o sofrimento e a felicidade humana. Considerando o conjunto de ideias do texto, o autor defende que: 

  • O sofrimento é algo passageiro e acidental, enquanto a felicidade é a essência da vida e o objetivo final da existência.
  • O prazer e a dor se equilibram mutuamente, garantindo que a experiência humana se mantenha em harmonia.
  • A felicidade é um bem real e constante, ao passo que a dor existe apenas quando há falta de desejo ou movimento na vontade.
  • A dor é o ponto de partida de toda consciência, pois é quando algo resiste à nossa vontade que realmente percebemos a vida.
  • A vida humana é guiada por uma vontade livre e serena, que busca naturalmente o bem e o equilíbrio entre os contrários.
Fale com IAgo
IAgo - Assistente IAProva
IA
Olá! Sou o IAgo, seu assistente aqui no IAProvatec 😊
Veja como posso te ajudar:
Agora