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#2002697
Texto da Questão:

A questão abaixo toma por base um fragmento da crônica de Otto Lara Resende, intitulada “Balanço", publicada no jornal Folha de S.Paulo (05/10/2002):

Por que hei de agradar o rude sofrimento e mais rude torná-lo, na desesperança? Por que proclamar a tristeza inútil diante das coisas que secretamente e melhor compreendo? Não falarei do desamparo que finamente aperta os dedos na garganta. Não citarei o sentimento peculiar aos que têm propensão para o desengano e, mais do que nunca, ao crepúsculo, sentem-se traídos e ultrajados sem motivo. Não mais me referirei a estados de alma que nada contêm além de um vazio cinzento e interminável, um abismo de sombra e de abstrato, onde a tristeza rumina o seu cadáver.

No trecho “Não falarei do desamparo que finalmente aperta os dedos na garganta", temos o emprego da palavra “que" com o mesmo valor encontrado em: 

  • Ouvi aquela música que você recomendou e, de fato, emocionei-me com sua letra.
  • Não conseguimos perceber que ela era apenas uma mulher desmemoriada.
  • Estávamos tão encantados com as palavras do poeta que praticamente sonhávamos.
  • Rolo na cama, veja o relógio marcar sete horas da manhã, mas não sei que dia é hoje.
  • Olhei para a paisagem pela janela, que afinal minha casa tem janelas, mas desisti.
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