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#3703066
Texto da Questão:

Examinei todas as outras coisas que estão abaixo de vós. Por um lado, provêm de vós; por outro, não existem, pois não são aquilo que vós sois. Já vi claramente que todas as coisas que se corrompem são boas; não se poderiam corromper se fossem sumamente boas. De que modo criastes o céu e a terra, se não procedesses como o artífice que forma um corpo de outro corpo, impondo-lhe, segundo a concepção de sua mente, a imagem que vê com os olhos do espírito? É necessário concluir que falastes e os seres foram criados. Vemos o homem, criado à vossa imagem e semelhança, constituído em dignidade acima de todos os viventes irracionais. E assim como na sua alma há uma parte que impera por sua reflexão e outra que se submete para obedecer, assim também a mulher foi criada, quanto ao corpo, para o homem.

AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Nova Cultural, 2000.

Uma professora de filosofia, após debater com os estudantes situações de violência na escola, propõe o exame de textos filosóficos para refletir sobre o problema. Nesse contexto, conduz a leitura do texto, adequado a essa proposta didática, porque situa a violência nos termos da

  • indisposição originária da humanidade para a sociabilidade, pela qual os seres humanos adquirem senso moral, o que implica uma concepção de naturalidade da violência.
  • carência ontológica na natureza da humanidade, pela qual os seres humanos não são sumariamente bons, o que não implica uma concepção fatalista de violência.
  • corrupção da alma humana por inclinação corporal, pela qual se nega a espiritualidade, o que implica uma concepção de violência desvinculada da alma humana.
  • ausência da mediação necessária ao salto espiritual para a fé, pela qual se recupera a humanidade original, o que não implica uma concepção de violência associada ao livre-arbítrio.
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