A hermenêutica interna a uma religião não pode tender a se igualar a uma fenomenologia universal do fenômeno religioso senão
a favor de uma extensão segunda, regida por um procedimento de transferência analogizante, conduzida aproximativamente,
a partir do lugar em que se está no início. Oponho esse procedimento ao da história comparada das religiões, que supõe ao
menos idealmente adoção de um lugar fora de lugar, de um lugar de onde o sujeito epistemológico não interessado consideraria
com um olho neutro e simplesmente curioso o campo disperso das crenças religiosas. Se certa descrição externa é acessível
a esse olhar de parte alguma, a compreensão do que se trata, do que está em jogo, do Woraufhin, é inacessível. Não entrarei
aqui nessa via de transferência agonizante e da compreensão aproximativa que esta última permite. Limitar-me-ei a fundar a
sua simples possibilidade sobre a atitude de suspense fenomenológico praticado a respeito de minhas próprias convicções.
Pedem-me então que eu pratique, em relação às religiões diferentes da minha, a mesma assunção imaginativa e simpática que
peço aos meus ouvintes quando procede diante deles a hermenêutica da fé hebraica e cristã.
RICOEUR, P. Leituras 3: nas fronteiras da filosofia. São Paulo: Loyola, 1996.
Conforme esse texto, ao promover um debate acerca da diversidade cultural religiosa em sala de aula, cabe ao professor de
filosofia direcionar o debate para
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