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#3703124
Texto da Questão:

Não tem racismo melhor ou pior. O nosso racismo era o racismo não dito, não assumido. A democracia racial é dizer que nós não somos racistas, os racistas são os brancos dos EUA e da África do Sul. Aqui somos todos mestiços. Isso acabou por matar a consciência das vítimas, negros, a consciência das pessoas brancas e vitimizadas. Então, nesse sentido que eu costumo dizer que é um crime perfeito, mata duas vezes, a primeira vez pelo silêncio, dizendo que não somos racistas, e mata mesmo, fisicamente. É como um carrasco. Você não vê o rosto do carrasco, como diz o judeu Elie Wiesel, Nobel da Paz. O carrasco mata sempre duas vezes, a segunda vez pelo silêncio. Esse é o nosso modelo de racismo, por isso temos dificuldade de derrotá-lo.

Disponível em: https://teoriaedebate.org.br.

Acesso em: 18 jul. 2025 (adaptado).

Nas discussões sobre Raça e Identidade, a mestiçagem ocupa um lugar privilegiado na tradição intelectual brasileira desde meados do século XIX. Entretanto, ao longo da história, foi adquirindo novos contornos e o debate foi sendo (re)discutido ou (re)atualizado. Nessa perspectiva, é correto afirmar que, nos estudos sociológicos,

  • o mito da “democracia racial” era fundamentado pelo elevado grau de miscigenação na formação histórica do país. Ainda no século XX, muitas obras atribuíam a miscigenação ao amálgama entre negros e brancos, o que a médio e longo prazo nivelou ambas as raças em um patamar de igualdade. No século XXI, os debates contemporâneos pouco avançaram nas análises sobre a mestiçagem e seus efeitos no ideal de democracia racial.
  • parte dos teóricos do chamado racismo científico via a mestiçagem como degeneração, e outros apostavam na mistura como forma de melhoramento genético. A partir dos anos 1930, no entanto, a mestiçagem passa a constituir a ideologia de Estado que será a base da construção nacional. No século XXI, rediscute-se a mestiçagem a partir de perspectivas sociais, culturais e políticas com efeitos na formação da identidade e da luta contra o racismo.
  • parte dos teóricos do século XIX contestou o determinismo biológico ao pensar os conceitos de raça e mestiçagem. As teorias do século XX, por sua vez, rechaçaram a ideia de mestiçagem na constituição da nação brasileira e demonstraram que, a despeito dos contatos entre brancos, negros e indígenas, a “brasilidade” se manteve intacta. Apenas no século XXI, a mestiçagem é retomada a partir da ideia de diversidade cultural, cara aos sociólogos contemporâneos.
  • os debates sobre a mestiçagem no Brasil são iniciados, efetivamente, a partir do século XX, com base na ideia de “brasilidade”, monocultural em seu ser mestiço. Essas ideias vão encontrar eco na campanha de nacionalização levada a cabo, no Brasil, a partir de 1937. Essa imagem de uma nação brasileira unitária, acima das diferenças étnicas, vai constituir também o cerne do pensamento sociológico no século XXI.
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