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Santaella (1986) descreve que a língua é a parte fixa da linguagem e a linguagem é a língua em movimento, de modo que o ato de compreender, interpretar, traduzir um pensamento em outro, forma um ciclo em movimento ininterrupto. Nessa perspectiva, a linguagem é estabelecida através da associação entre as coisas que são percebidas e as lembranças de sensações, sentimentos e ideias despertadas pela percepção. Na Libras, esse movimento se desdobra por meio da via estrutural de aspectos da iconicidade e da arbitrariedade. Analise as alternativas abaixo, e assinale a única afirmativa CORRETA em relação aos aspectos básicos da iconicidade e arbitrariedade na LIBRAS:

  • A iconicidade, por sua vez, é uma característica enfatizada na discussão sobre as línguas de modalidade visual-gestual. Enquanto nas línguas orais a iconicidade se dá pela reprodução dos sons que caracterizam um determinado objeto, como as onomatopeias, na LIBRAS, a iconicidade se dá, exclusivamente pela representação que se constrói nas expressões faciais.
  • No caso da LIBRAS, um exemplo em que não se aplica a arbitrariedade é o sinal do substantivo “mulher”. Este tem seus constituintes influenciados pela imagem do objeto ao qual ele se refere. Isso mostra que, mesmo a LIBRAS sendo uma língua de forte motivação icônica, alguns dos seus sinais não são arbitrários.
  • Sinais icônicos são aqueles que mantêm semelhança com o dado da realidade que representam, sendo iguais em todas as línguas. Uma das propriedades básicas de uma língua é a iconicidade existente entre significante e referente. Durante muito tempo afirmou-se que as línguas de sinais não eram línguas por serem icônicas, não representando, portanto, conceitos abstratos. Isto é verdade, pois em língua de sinais tais conceitos também não podem ser representados, em toda sua complexidade.
  • A ideia de arbitrariedade da língua se relaciona com a ideia de convenção: enquanto a palavra “cadeira” é icônica na língua de sinais, na língua portuguesa, por exemplo, ela é arbitrária. Na LIBRAS, os sinais do substantivo “biscoito” e “pessoa” e dos verbos “apelidar” e “amar” são exemplos de arbitrariedade. Eles mostram que, mesmo a LIBRAS sendo uma língua de forte motivação icônica, alguns dos seus sinais são arbitrários.
  • Além de ocorrer nos substantivos, a iconicidade também acontece em alguns verbos na LIBRAS, porém ela se manifesta de modo diferente. Há alguns verbos que variam de acordo com o sujeito que sofre a ação, como, por exemplo, o verbo “cair”. Se o sujeito for uma pessoa, a configuração de mão será os dedos indicador e médio em pé, representando a imagem das pernas do indivíduo em pé, e o movimento da queda será feito a partir do deslize desses dois dedos pela palma da mão, representando a queda de um ser humano. No entanto, se o sujeito for um objeto, como uma folha de papel, a configuração de mão será o sinal de “papel” e o ato de cair se relacionará com o movimento que esse objeto faz em direção ao chão. Logo, o verbo “cair” tem natureza icônica, pois sua constituição é influenciada pelo modo como o sujeito ao qual ele se refere se comporta.
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