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#2675006

Analisando a produção da sexualidade nas sociedades modernas, Foucault (1985) afirma que a sujeição dos corpos e o controle das populações são efeitos de técnicas diversas que se instauram como um “bio-poder”. A respeito do biopoder e do poder soberano, assinale a alternativa INCORRETA:

  • O poder soberano exercia-se por um direito de vida e morte de forma assimétrica. O soberano só marca seu poder sobre a vida pela morte que tem condições de exigir, isto é, o direito de causar a morte ou de deixar viver, relacionando-se a um tipo histórico de sociedade, pré-moderna, em que o poder se exercia, essencialmente, pelo confisco.
  • O direito de causar a morte ou deixar viver foi substituído por um poder de causar a vida ou devolver a morte. O seu papel é garantir, sustentar, reforçar, multiplicar a vida e pô-la em ordem. São mortos legitimamente aqueles que constituem uma espécie de perigo biológico para os outros, porque o poder se exerce ao nível da espécie, da raça e dos fenômenos de população.
  • Jamais as guerras foram tão sangrentas como a partir do século XIX e nunca, guardadas as proporções, os regimes haviam, até então, praticado tais holocaustos em suas próprias populações. Foi como gestores da vida e da sobrevivência dos corpos e da raça que tantos regimes puderam travar tantas guerras, causando a morte de tantos homens. O princípio: poder matar para poder viver, que sustentava a tática dos combates, tornou-se estratégia entre Estados.
  • As disciplinas do corpo (anátomo-política) e as regulações da população (bio-política) constituem os dois pólos em torno dos quais se desenvolveu a organização do poder sobre a vida. A instalação, durante a época clássica, desta grande tecnologia de duas faces – individualizante e especificante, voltada para os desempenhos do corpo e encarando os processos da vida – caracteriza um poder cuja função mais elevada já não é mais matar, mas investir sobre a vida, de cima a baixo.
  • Na tecnologia do poder, a partir do século XIX, aparecem duas direções nitidamente separadas. Do lado da disciplina as instituições como o Exército ou a escola; as reflexões sobre a tática ou sobre a aprendizagem. Do lado das regulações de população a demografia, a estimativa da relação entre recursos e habitantes, a tabulação das riquezas e de sua circulação, das vidas com sua duração provável. Desse modo, embora a sexualidade seja dispositivo comum a essas técnicas de poder, distingue-se pelo controle dos corpos individuais nas disciplinas e pela administração dos fenômenos maciços da população, na biopolítica.
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