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#2357223
Texto da Questão:

Leia a crônica “A perigosa aventura de escrever” para responder à questão.

      A PERIGOSA AVENTURA DE ESCREVER

    “Minhas intuições se tornam mais claras ao esforço de transpô-las em palavras”. Isso eu escrevi uma vez. Mas está errado, pois que, ao escrever, grudada e colada, está a intuição. É perigoso porque nunca se sabe o que virá — se se for sincero. Pode vir o aviso de uma destruição, de uma autodestruição por meio de palavras. Podem vir lembranças que jamais se queria vê-las à tona. O clima pode se tornar apocalíptico. O coração tem que estar puro para que a intuição venha. E quando, meu Deus, pode-se dizer que o coração está puro? Porque é difícil apurar a pureza: às vezes no amor ilícito está toda a pureza do corpo e alma, não abençoado por um padre, mas abençoado pelo próprio amor. E tudo isso pode-se chegar a ver — e ter visto é irrevogável. Não se brinca com a intuição, não se brinca com o escrever: a caça pode ferir mortalmente o caçador.
(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.)

Quanto ao(s) tipo(s) de discurso(s) que estrutura(m) essa crônica, é possível afirmar:

  • As marcas e os travessões indicam, nesse texto, o discurso direto;
  • Os travessões não indicam que há discurso direto nesse texto;
  • O vocativo “meu Deus” é a única marca do discurso direto do texto;
  • O monólogo da cronista indica que há, nesse texto, o discurso indireto;
  • Quando o discurso direto se mistura ao discurso indireto, forma-se o discurso indireto-livre, que é o caso desse texto.
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