Leia um fragmento da entrevista de Eliane Brum no jornal El Pais.
Belo Monte: a anatomia de um etnocídio
A procuradora da República Thais Santi conta como a terceira maior hidrelétrica do mundo
vai se tornando fato consumado numa operação de suspensão da ordem jurídica,
misturando o público e o privado e causando uma catástrofe indígena e ambiental de
proporções amazônicas.
[...]
Qual era a cena?
Santi – Era como se fosse um pós-guerra, um holocausto. Os índios não se mexiam.
Ficavam parados, esperando, querendo bolacha, pedindo comida, pedindo para construir as
casas. Não existia mais medicina tradicional. Eles ficavam pedindo. E eles não
conversavam mais entre si, não se reuniam. O único momento em que eles se reuniam era
à noite para assistir à novela numa TV de plasma. Então foi brutal. E o lixo na aldeia, a
quantidade de lixo era impressionante. Era cabeça de boneca, carrinho de brinquedo
jogado, pacote de bolacha, garrafa pet de refrigerante.
(Eliane Brum, El Pais, 01/12/14, Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/01/opinion/1417437633_930086.html>. Acesso em: 20 de
dez. 2020).
A procuradora da República Thais Santi retrata uma cena, compreendida por ela como um
processo de etnocídio. É um conceito criado por etnólogos americanistas nos anos
sessenta.
A cena descrita pela procuradora ilustra o conceito de etnocídio compreendido pelos
etnólogos como
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