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#2224389
Texto da Questão:

O “Quarto de despejo” e o spread literário

Luiz Maurício Azevedo 

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AZEVEDO, Luiz Maurício. O “Quarto de despejo” e o spread literário. Correio do Povo,
Porto Alegre, 3 out. 2020.

De acordo com Celso Cunha e Lindley Cintra (2016), os sinais de pontuação são utilizados para compensar recursos rítmicos e melódicos próprios da elocução oral, os quais se perdem na modalidade escrita. No que se refere especificamente ao conjunto de sinais cuja função é marcar pausas (vírgula, ponto, ponto e vírgula, por exemplo), há casos em que se admite certa flexibilidade de uso, uma vez que não ferem as convenções gramaticais normatizadas ao longo do tempo. 


Nos excertos abaixo, retirados do artigo de Luiz Maurício Azevedo, a opção pelo emprego ou pela ausência de sinais de pontuação ocorre de maneira adequada EXCETO em:

  • A maneira mais eficiente de se acabar com um livro não é jogando suas páginas ao fogo, proibindo sua circulação ou interditando a impressão de seus exemplares; a forma mais eficaz de destruir uma obra é controlando sua recepção, de forma a orientar como aquilo que foi escrito deve ser lido. (Linhas 1-4).
  • Querem evitar, a todo custo, o triunfo da vontade negra; não porque são brancos, mas porque são – e vão precisar de muito Lacan para admitir isso – racistas. Contudo, mesmo essas drosófilas do pensamento, já perceberam que é preciso emular um certo discurso de que a literatura é uma janela para o social. (Linhas 19-22)
  • Espalhou-se a ideia de que o sistema social brasileiro, embora perverso e desigual, não impede que se descubra – no inferno ou na favela – o talento literário. A maior parte dos autores gosta de alimentar essa fantasia porque ilusão dá dinheiro. A má notícia é que o mesmo sistema que pinça excluídos e os transforma em modelos de meritocracia e salvação, com contratos editoriais atraentes e adiantamentos polpudos, também produz a miséria da qual eles saíram. (Linhas 55-60).
  • A profundidade escura de seu modernismo cru, a complexidade sufocante das estratégias que criou para dissolver a realidade e fazer com que ela coubesse na miúda sintaxe de sua escolarização precária… tudo isso ainda permanece relativamente oculto. Pesquisadoras como Roberta Flores Pedroso, Fernanda Felisberto, Rosangela Frateschi, Fernanda Miranda e Raffaela Fernandez (não por acaso mulheres) estão trabalhando muito para reverter esse quadro. (Linhas 68-74).
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