O gol que Pelé não fez
Por um momento, ninguém entendeu. Por que Pelé não passou? Por que atirava de tão espantosa distância? E o goleiro custou a
perceber que era ele a vítima. Seu horror teve qualquer coisa de cômico. Pôs-se a correr, em pânico. De vez em quando, parava e
olhava. Lá vinha a bola. Parecia uma cena dos Três Patetas. E, por um fio, não entra o mais fantástico gol de todas as Copas passadas,
presentes e futuras. Os tchecos parados, os brasileiros parados, os mexicanos parados - viram a bola tirar o maior fino da trave. Foi
um cínico e deslavado milagre não ter se consumado esse gol tão merecido.
Aquele foi, sim, um momento de eternidade do futebol...
Esse texto, de Nelson Rodrigues, descreve o gol que Pelé não fez, na partida Brasil x Tchecoslováquia pela Copa do
Mundo de 1970, em Guadalajara.

Supondo que
• a bola, após o chute de Pelé, ficou 3,6 segundos no ar;
• o comprimento do arco da trajetória da bola era cerca de 60 metros do ponto de onde foi chutada ao ponto em
que atingiu o solo novamente e
• que a velocidade média de um objeto é calculada pela razão entre a distância percorrida por esse objeto e o
tempo decorrido do início da trajetória,
determine, aproximadamente, em quilômetros por hora, a velocidade média da bola chutada por Pelé.