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#2325402
Texto da Questão:

I. “Uma das dificuldades para a educação linguística no ensino brasileiro é a tentativa de desenvolver a competência em leitura e a forma como esse tratamento pode ser abordado em sala de aula. O gênero tirinha (ou tiras) apresenta-se como um evento comunicativo bastante pertinente para um estudo qualitativo e interpretativo sobre as diferentes opções que os usuários da língua dispõem para construir seu texto.” (MARINHO, Ciro Filgueira et all. Construção e produção de sentidos em tirinhas: entre o dito e o não dito).

(Disponível em http://www.gelne.com.br/arquivos/anais/gelne-2014/anexos/185.pdf, acessado em 01/09/2018).

II. “Dizer que pressuponho X, é dizer que pretendo obrigar o destinatário, por minha fala, a admitir X, sem por isso dar-lhe o direito de prosseguir o diálogo a propósito de X. O subentendido, ao contrário, diz respeito à maneira pela qual esse sentido é manifestado, o processo, ao término do qual deve-se descobrir a imagem que pretendo lhe dar de minha fala". (O dizer e o dito. Campinas: Pontes, 1987, p. 42). 


A título de exemplificação do que se acabou de afirmar em (I) e (II), e ao explorarmos a aplicação e utilização da teoria dos pressupostos e subentendidos, na perspectiva de Ducrot, pode-se afirmar que na tirinha em destaque (III): 

  • a escolha do item lexical “inútil” indica um tipo de implícito no qual o locutor dessa enunciação era importante em um momento anterior ao momento da enunciação.
  • os pressupostos muitas vezes estão relacionados a marcadores linguístico-discursivos. O adjetivo “inútil” é elemento linguístico responsável pela ativação do pressuposto de que alguns programas de TV nos alienam.
  • o pressuposto é sempre um “conteúdo explícito", sistematicamente associado ao sentido de uma determinada oração.
  • o subentendido não está marcado na estrutura linguístico-discursiva do texto, mas o contexto não verbal pode nos revelar esses detalhes.
  • o seu humor é construído a partir da escolha dos locutores, amparado na inferência mediante a ativação de um conhecimento externo que não nos permite aceitar com facilidade a antropomorfização do cérebro.
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