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#2323227
Texto da Questão:

                                       CASO CLÍNICO


Você recebeu para avaliação um jovem de 19 anos, que durante o serviço militar obrigatório passou a apresentar um comportamento paranoide, com presença de delírios persecutórios francos, dizendo que haveria câmeras nas lâmpadas de luz de sua casa e que o Brasil poderia ser invadido a qualquer momento. Disse, na consulta, que escreveu cartas ao Presidente da República, manifestando o perigo que isso representa e que tem dormido poucas horas por noite, fatos confirmados pela família, que apresenta a você o que o paciente escreveu. A família relata que seu comportamento passou a ficar “excêntrico” e que gesticulava muito, como se fizesse discursos, com solilóquios, por muitas vezes irritado. O paciente argumenta que Deus o designou chefe da operação militar contra a suposta invasão.

A família insistiu que o paciente usava drogas, mas o resultado do exame toxicológico de urina realizado 3 vezes nos últimos 2 meses foi negativo para as principais drogas, incluindo maconha e cocaína.

Os sintomas persistiram por vários meses e sua indicação terapêutica foi iniciar com o uso de clozapina, gradativamente, até a dose de 200 mg/dia, com a qual atingiu remissão dos sintomas.

Entre os antipsicóticos disponíveis atualmente, existe a divisão comum em agentes “típicos” (“clássicos” ou de “1ª geração”) e “atípicos” (ou de “2ª geração”). Esses últimos incluem fármacos como a clozapina, que foi o agente antipsicótico escolhido na terapêutica do paciente do caso clínico anterior. Com relação à ação dos antipsicóticos e implicações dos seus usos, assinale a alternativa CORRETA:

  • Os antipsicóticos atípicos são praticamente desprovidos de afinidade por receptores além dos dopaminérgicos do tipo D2, justificando a menor ocorrência de efeitos indesejados quando comparados aos agentes típicos.
  • A via tuberoinfundibular permite o controle inibitório da liberação de prolactina pela ação da dopamina em receptores dopaminérgicos do tipo D1 presentes na hipófise. O risco de hiperprolactinemia, ginecomastia e galactorreia é maior com o uso de antipsocóticos típicos, que apresentam maior afinidade por esses receptores que os antipsicóticos atípicos.
  • A ocorrência de efeitos extrapiramidais e parkinsonismo farmacológico é mais frequente com o uso de agentes típicos, como o haloperidol. Nessas situações, esse efeito indesejado pode ser minimizado pelo ajuste de dose do antipsicótico ou utilização de um agente antiparkinsoniano como adjuvante de tratamento.
  • A razão de antagonismo de receptores serotoninérgicos e dopaminérgicos contribui para a menor incidência de efeitos extrapiramidais causados por agentes atípicos, que apresentam afinidade maior por receptores de serotonina do tipo 5HT2que por receptores dopaminérgicos do tipo D2.
  • A potência terapêutica de agentes antipsicóticos é maior quanto maior for a afinidade para receptores dopaminérgicos do tipo D1.
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