A figura do herói em muito contribui para a
sustentação de um regime político. Em alguns casos,
como aponta José Murilo de Carvalho, a escolha desse
herói se dá de forma bastante natural, ao se elegerem os
verdadeiros participantes – preferencialmente advindos de
camadas populares – do movimento que culminaria no
regime vencedor. Entretanto, há casos como o brasileiro
em que as mudanças acontecem sem grande participação
da população, de forma que um herói não aparece de
forma tão natural, sendo necessário um “maior esforço na
escolha e na promoção da figura do herói”, já que, ainda de
acordo com Carvalho, “herói que se preze tem que ter, de
algum modo, a cara da nação. Tem que responder a
alguma necessidade ou aspiração coletiva, refletir algum
tipo de personalidade ou de comportamento que
corresponda a um modelo coletivamente valorizado”
(Carvalho, 2008, p. 55). Se não atender a essas exigências,
é muito provável que a figura escolhida fracasse como
herói nacional.