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#3332828
Texto da Questão:

A questão refere-se aos dois textos apresentados a seguir. O primeiro diz respeito à Mafalda, personagem icônica criada pelo argentino Quino, em conversa com o amigo Filipe. O segundo texto trata-se de uma criação do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, que compõe a obra intitulada O Livro dos Abraços.


TEXTO 1 





TEXTO 2


Função da arte/1


       Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul.

           Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.

           Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.

           E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:

           — Me ajuda a olhar!


GALEANO, Eduardo. In: O livro dos abraços. 2ª ed. Porto Alegre: L&PM, 2009, p. 15.

Uma análise intertextual dos dois textos permite afirmar que: 

  • a. Mafalda considera a importância da leitura como forma de escapar da imposição de sentidos. O personagem do texto 2 solicita ajuda ao pai para “olhar o mar”. Em ambos os textos, ressalta-se o valor do compartilhamento de sentidos.
  • o diálogo entre os dois textos está inviabilizado pelo fato de que pertencem a esferas enunciativas bastante diferenciadas. Enquanto o texto 1 foi produzido na esfera jornalística, o texto 2 pertence à esfera literária.
  • os dois textos remetem ao tema da leitura. No texto 1, a tematização é explícita, em razão de os personagens estarem no ambiente escolar. No texto 2, a tematização é subentendida, pois a ajuda requerida pelo filho será dada com base nos conhecimentos que o pai construiu com as leituras de livros que já realizou.
  • tanto a personagem Mafalda quanto o personagem Santiago Kovadloff colocam-se como mediadores no processo de construção de sentidos por parte dos personagens Filipe e Diego: Mafalda, no contexto escolar; o pai no contexto da formação social e afetiva do filho.
  • Os dois textos permitem a mesma interpretação: assim como “viver sem ler”, isto é, sem o olhar do outro, é perigoso, “olhar o mar” sem a ajuda do outro também é perigoso, pois significa que a “leitura do mar” será feita solitariamente e, portanto, sob o risco do equívoco.
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