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#2977376

“Sintetizando as considerações antes efetuadas, podemos afirmar que as mudanças administrativas empreendidas pelo interventor foram no sentido da centralização do poder político no aparelho regional de Estado.”
Texto extraído de: ACHIAMÉ, Fernando A.M. O Espírito Santo na Era Vargas (1930-1937): Elites políticas e reformismo autoritário. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2010, p.161.

Sobre as características e desdobramentos do reformismo autoritário, implementado por Bley no Espírito Santo, segundo Achiamé, é CORRETO afirmarmos que:

  • A atuação político-administrativa da interventoria federal no estado do Espírito Santo orientou-se, nos anos de 1931 a 1934, pelo atendimento às aspirações tenentistas, em detrimento aos interesses das oligarquias estaduais, alijadas do poder pela Revolução de 1930 e que somente no Estado Novo recuperariam seu espaço.
  • Entre as principais medidas de controle financeiro destacaram-se as que atingiram tanto o funcionalismo estadual, desagradando as camadas médias, quanto às políticas de valorização cafeeira, descontentando as camadas dominantes, a fim de conter os gastos públicos, que haviam aumentado durante o governo de Aristeu Aguiar (1928-1930).
  • A criação das intendências dos municípios tinha um caráter inovador, pois rompia a dependência do governo estadual em relação aos coronéis. Ao acomodar os tenentes no comando dos municípios, as facções foram alijadas da coalização de poder, perdendo inclusive a influência nas decisões tomadas, bem como o monopólio do aparato de coerção.
  • Comissões de sindicância foram úteis à administração Bley nos dias em que o interventor firmava-se no poder estadual. Tais comissões eram controladas pela interventoria, contando com a participação de “distintos” membros da sociedade, ou seja, membros da elite rural e urbana. Bley, de forma controlada, passou a descentralizar pequena parte de seu poder a fim de cooptar setores das camadas conservadoras.
  • Após 1930, o poder passou a ser centralizado em níveis federal e estadual e, por consequência, os grupos locais perderam autonomia. Mesmo uma determinada facção local, eventualmente prestigiada pelos novos governantes, teve seu poder diminuído em relação ao que detinha na situação anterior, porque tal facção passou a se relacionar com um novo árbitro, a interventoria.
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