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#2257922

Derramou-se fraterno o sangue no Congo.

Derramou-se luminoso, escorreu-se errante.

Derramou-se farto de bravas veias pulsantes.


Derramou-se em resistência o sangue de Canudos.

Derramou-se até onde foi possível derramar.

Derramou-se Hei sem mais se guardar


O sangue milagroso e particular em meu corpo,

de alguma estranha maneira sanguinária,

tomou-se o sangue coletivo dessas memórias.


(Fonte: CORREIA, Wesley. Deus é negro: da partida, da chegada, da multiplicação: poesia. Salvador Pinaúna, 2013, p. 36)


O poeta Wesley Correia sintetiza no poema “Memória a sangue” as dores dos irmãos escravizados e apresenta, em “sangue coletivo dessas memórias” (v.9), as diferentes formas de resistência negra à condição que lhe fora imposta pelo branco dominador, entre os séculos XV ao XIX. Na História do Brasil, é possível identificar algumas formas de resistência negra, como a:

  • Rebelião dos Marinheiros cariocas, no início do período republicano, em protesto contra a falta de democracia e de participação popular nas decisões políticas do novo regime.
  • luta do povo baiano, na chamada Conjuração Baiana, em defesa do livre comércio, da liberdade religiosa e do estabelecimento de relações mais liberais com a metrópole.
  • ação dos chamados irmãos da senzala, grupos que, no contexto da luta abolicionista, invadiam as fazendas, libertando os escravos e aterrorizando as famílias dos senhores.
  • Revolta dos Malês, em que negros islamizados propunham uma aliança com os brancos baianos para libertar o Brasil de Portugal e estabelecer um regime republicano.
  • Guerra de Canudos, onde os seguidores de Antônio Conselheiro procuraram derrubar o recém -instalado regim e republicano e restaurar a Monarquia e o poder imperial de D. Pedro II.
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