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#2517358

Ainda segundo Tania Pellegrini, sobre a obra do escritor Milton Hatoum: “[Hatoum), lançando mão das contribuições das matrizes literárias urbanas clássicas, modernas e contemporâneas, já incorporadas, e à sua luz revendo os conteúdos [...], compõe um tecido rico no seu hibridismo, que conserva vivas todas as suas fontes e é capaz de continuar transmitindo a herança delas recebida. É uma herança renovada que, todavia, ainda se identifica completamente com o passado, resgatando-lhe a identidade e impedindo sua transformação em “texto multicultural.” Nesse sentido, ele consegue não esquecer, mas lembrar; não superar, mas resgatar em termos artísticos de inegável valor o impasse criado pelas desigualdades de fundo da vida social e da multifacetada cultura brasileira, num movimento de incorporação simultânea de termos heterogêneos e numa síntese de profundo significado humano e político.” (https://muse.jhu.edu/article/173647.pdf)
De acordo com esta leitura crítica acima, podemos dizer que o autor de Dois Irmãos:

  • Utiliza os modelos literários do passado e presente, os reorganiza e, com muita sensibilidade, constrói uma narrativa sem estereótipos, num movimento de memória que traz de forma sensível temas sobre as diferenças culturais e a desigualdade social.
  • Lança mão de recursos literários já ultrapassados, numa tentativa infrutífera de resgatar esse lugar de fala do povo manauara e de sua história, através de formas inovadoras de escritura.
  • Conta histórias urbanas resgatadas das narrativas populares, que lhe foram passadas como herança cultural pelo povo ribeirinho, narrativas que foram consideradas “multiculturais”.
  • Constrói um narrador introspectivo, que gosta de relembrar a Manaus de sua infância, onde a linguagem popular adquire tons nacionalistas.
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