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#2518289
Texto da Questão:

Leia o texto a seguir e responda à questão:
“A instalação do modelo penitenciário em Florianópolis vem atender a demandas regionais, como a necessidade de um local para se colocar detentos de outras cidades de Santa Catarina, como Blumenau, com um parque industrial em expansão e, consequentemente, percebendo a formação de uma classe de operários que precisava ser controlada; mas aparece em conjunto com um ideal de "progresso" nacional, baseado num pensamento médico-higienista.  
A cidade também estava em busca da "ordem e progresso", princípios do pensamento positivista que tomaram conta do país. As necessidades de higiene exigiam uma intervenção médica, muitas vezes autoritária, sobre o que aparecia como foco privilegiado de doenças, como, por exemplo: hospitais, prisões, portos, cortiços. A partir deste saber médico-administrativo, ou seja, a partir da aplicação prática da medicina social, na forma de pensamento higienista e eugenista, forma-se o núcleo que dá origem à "economia social e à sociologia do século XIX" (Foucault, 1993, p.103). A distribuição e vigilância dos indivíduos e a reorganização das cidades seria feita e ditada por normas médico-higienistas, numa época em que aglomeração de pessoas e desordem eram sinônimos de doenças, epidemias, atraso, caos.
Pretende-se fazer, aqui, uma análise do processo de criação e reorganização do modelo penitenciário na cidade de Florianópolis, ocorrido nos anos 30 do século passado, como uma situação particular dentro desse processo de reestruturação das cidades, que não pode ser pensada fora do espaço da medicalização dos corpos.
Com vistas à utilização racional da vida e das instituições, o hospital, assim como a prisão, transforma-se em máquina de curar. A observação, as anotações e os registros, com a ajuda da estatística, permitem a fixação do conhecimento dos indivíduos, dos diferentes casos clínicos, seguindo a evolução particular das doenças até atingir registros populacionais, o que Foucault (1988) chamou de biopolítica das populações.
Quando se analisa a instalação do modelo penitenciário na cidade de Florianópolis por intermédio do viés do pensamento médico-jurídico e suas possíveis interfaces, percebe-se, mediante os discursos presentes nas fontes primárias estudadas, uma preocupação muito forte com o crime associado à hereditariedade, degeneração e higiene, além da utilização de um marcante vocabulário médico. 
A grande questão em relação às aglomerações urbanas e à falta de infraestrutura das cidades do século XIX consistia no perigo do contágio de doenças, o que acontecia, segundo as autoridades da Saúde Pública, por intermédio das habitações dos pobres, como as casas de estalagem e os cortiços. Era necessário, então, conhecer a origem das epidemias e, para isso, criou-se um gênero, a topografia médica, o conjunto de dados ou estudos que englobavam a força dos ventos e das marés, as chuvas, o estado das ruas, as habitações e quartos dos trabalhadores. Seria o ponto de partida de diversas intervenções urbanas sanitárias. A Higiene se cria entre miasmas e números.”
(Rebelo, Fernanda; Caponi, Sandra. A medicalização do crime: a
Penitenciária de Florianópolis como espaço de saber e poder (1933-
1945). Revista Interface – Comunicação, Saúde, Educação,
Botucatu, vol. 2, n. 22, mai/ago 2007.
http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832007000200002)

De acordo com o texto, se pode afirmar que:

  • Os médicos sanitaristas do início do século XX relacionaram, de acordo com as ideias progressistas da época, a pobreza à criminalidade e a falta de condições laborais, sendo fatores principais o êxodo rural na região de Blumenau e o crescimento da industrialização no estado de Santa Catarina. Este fato afetou diretamente as ações sanitárias urbanas em Florianópolis, onde as condições hospitalares assemelhavam-se às condições prisionais.
  • O pensamento positivista influenciou diretamente na reestruturação penitenciária da cidade de Florianópolis no início do século XX. De acordo com o pensamento determinista da época a genética, o decaimento e condições de asseio representavam um papel importante na propensão ao delito. Assim criou-se uma disciplina investigativa que permitiu a realização de ações relativas à higiene e saúde nas urbes.
  • A reorganização das periferias das cidades grandes, assim como Florianópolis e Blumenau, foi baseada nas idéias eugenistas trazidas da Europa pelos imigrantes que chegaram no final do século XIX e início do século XX. Dentro desta perspectiva, a população menos favorecida economicamente foi relegada a bolsões onde havia uma relação inversa entre criminalidade e higiene.
  • A reestruturação da organização penitenciária em Florianópolis veio por necessidade não apenas do empresariado local, mas também do empresariado do estado de Santa Catarina, que tinha um olhar eugênico em relação à população mais pobre. Desta forma, os discursos médicos basearam-se num modelo de aniquilação da pobreza estabelecida nas periferias das grandes cidades.
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