Folhas, raízes, brotos, caule, flores, tempo. As árvores são as verdadeiras donas do tempo. Ou pelo menos
deveriam ser reconhecidas assim. Não só pela ancestralidade porque sim, merecem todo nosso respeito, elas são
nossas parentes mais distantes, mas porque vieram antes de nós. Respeitar o meio ambiente é compreender que
precisamos respeitar a vida e a experiência dos mais velhos. E a partir daqui já podemos compreender que estamos
dentro de um trem descarrilado indo de encontro ao muro.
Estamos nos transformado numa sociedade embrutecida, arrogante, gananciosa e completamente ignorante.
Os professores estão sendo apedrejados em sala de aula, os mais velhos completamente desrespeitados, as crianças
e adolescentes cada vez mais dentro da internet e sem conexão com o mundo real e todo mundo mais e mais
medicamentado para suportar o peso da vida. Associado a isso, a violência, o trânsito sem regras, os maus-tratos aos
animais que cresce em escala exponencial e o descaso com o meio ambiente.
Quando uma árvore é cortada por pura ganância ou porque atrapalha ou porque cresceu no lugar errado ou
porque suas folhas sujam o chão, fico me perguntando quando foi que perdemos a conexão com a natureza? Quando
foi que nossa arrogância ficou maior que a empatia? Dias atrás as motosserras do poder público e também do privado
fizeram e fazem podas drásticas e sem nenhum tipo de respeito às plantas. Que tipo de política é essa? Árvore não é
enfeite. É um ser vivo e necessário.
Ao lado do meu computador tenho uma imagem que reproduz a nossa galáxia. Gosto de olhar para ela toda
vez que sento para escrever. A imagem das estrelas, dos planetas em órbita e do sol perdido em meio a este vasto e
misterioso universo é um ótimo lembrete da minha insignificância. Afinal, o que somos perto desta imensidão sem fim?
Respondo: nada. Há quantos anos existe nossa galáxia? E nosso planeta? Já eu e você temos um tempo minúsculo
por aqui, na melhor das hipóteses, 80, 90 anos. Nossa passagem é brevíssima. E mesmo assim somos campeões em
fazer bobagem.
Precisamos desenvolver uma espécie de ecologia das práticas cotidianas. Para isso é preciso voltar a estar
com o planeta e não achar que se tem poder sobre ele. Não somos isolados do mundo. Este discurso contemporâneo
do individualismo ainda vai nos fazer muito mal. Por que se o mundo do lado de fora é um reflexo do que temos dentro,
que tipo de mundo nos habita? Aliás, o que habita em nós está nos acompanhando ou nos escravizando?
Autora: Adriana Antunes - GZH (adaptado).
O texto apresenta uma reflexão crítica sobre o afastamento humano da natureza e, de modo mais amplo,
da própria vida em sua dimensão ética e comunitária. A autora articula esse afastamento a um processo social
de embrutecimento, no qual violências simbólicas e materiais se tornam naturalizadas. Considerando a
tessitura argumentativa do texto e os nexos que o estruturam, assinale a alternativa que evidencia uma leitura
compatível com a perspectiva defendida pela autora.
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