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#3651487
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BARROS, M. O livro das ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 2001.

Por meio da intencionalidade discursiva do poema, depreende-se que

  • há uma contraposição estilística no texto corroborada pelas expressões “vidro mole” e “cobra de vidro”, representando imagens sensoriais, surreais, que revelam o paradoxo entre imaginação e denominação.
  • o poema prioriza a função metalinguística ao nomear conotativamente um termo dicionarizado como “enseada”. Essa característica de definir neologismos é uma marca singular da poética de Manoel de Barros e de sua escrita pós-modernista.
  • o texto apresenta uma poética singular, marcada por alegorias que transparecem nas imagens sensoriais ao longo do texto, em oposição ao racionalismo da linguagem referencial lexicográfica trazida pelo homem, sinônimo, no poema, de conhecimento institucionalizado.
  • a palavra “enseada”, em si, é evidenciada, no poema, por meio de uma linguagem fluida, visual, subjetiva, criando uma metáfora rica e original, típica do estilo de Manoel de Barros, em contraposição ao conceito geográfico do termo lexicográfico dicionarizado.
  • o poema é conativo à medida que convence o interlocutor de que a linguagem é sinônimo de criação poética e de subjetividade, em que o eu lírico lamenta a perda do encantamento, pois percebe que nomear cientificamente o mundo empobrece a arte poética.
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