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#1838914

“Para além de uma rejeição ou negação dos valores de civilização e progresso que se tentava materializar na cidade do Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina, na sua dimensão popular, trazia em seu bojo a defesa e a afirmação de uma outra lógica de interpretação do mundo.”

AQUINO e MITTELMAN, Tania. A revolta da vacina. Vacinando contra a varíola e contra o povo. Rio de Janeiro: Ed. Ciência Moderna, 2003.


Entre as crenças que geraram desconfiança e aversão à obrigatoriedade da vacinação imposta pelas autoridades cariocas e que resultaram na Revolta da Vacina, encontramos as tradições culturais das populações negras descendentes dos grupos bantus e iorubás, para quem

  • a introdução da vacina no corpo representaria a inoculação da própria doença, o que era contrário aos preceitos da variolização.
  • a vacina animal, extraída do pús vacínico de vitelos, poderia transmitir características dos animais para os serem humanos, ou seja, poderia animalizar as pessoas.
  • a vacina obrigatória, realizada através do método de braço-abraço, poderia transmitir a sífilis, que seria passada pelos brancos às populações negras.
  • as epidemias de varíola eram um castigo infligido por Omolu, sendo a doença uma espécie de purificação dos pecados. Assim, vacinar-se só causaria mais epidemias e mortes.
  • o método de aplicação da vacina nos braços, pernas ou até nas nádegas feriam os estritos códigos morais femininos, posto que teriam que se despir para os vacinadores.
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