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#1599359
Texto da Questão:

Texto I

Como era gostoso o meu burguês

    O Manifesto Antropófago foi publicado em 1º de maio de 1928, no Diário de São Paulo. De todas as iniciativas renovadoras propostas por Oswald de Andrade, talvez tenha sido essa a mais visionária. Em sua obra Vanguardas Latino-americanas, Jorge Schwartz assim analisa a antropofagia oswaldiana:
   “O dilema nacional/cosmopolita é resolvido pelo contato com as revolucionárias técnicas da vanguarda europeia, e pela percepção da necessidade de reafirmar os valores nacionais numa linguagem moderna. Assim, Oswald transforma o bom selvagem rousseuauniano num mau selvagem, devorador do europeu, capaz de assimilar o outro para inverter a tradicional relação colonizador/colonizado”. Tudo, evidentemente, no plano cultural.
   Schwartz cita ainda o artigo “Da razão antropofágica: diálogo e diferença na cultura brasileira”, escrito por Haroldo de Campos, em que este afirma:
     “(...) é o pensamento da devoração crítica do legado universal, elaborado não a partir da perspectiva submissa e reconciliada do ‘bom selvagem’ (...) mas segundo o ponto de vista desabusado do ‘mau selvagem’, devorador de brancos, antropófago. Ela não envolve uma submissão (uma catequese), mas uma transculturação: melhor ainda, uma ‘transvaloração’: uma visão crítica da história como função negativa (...) capaz tanto de apropriação como de expropriação, desierarquização, desconstrução. Todo passado que nos é ‘outro’ merece ser negado. Vale dizer: merece ser comido, devorado. Com esta especificação elucidativa: o canibal era um ‘polemista’ (do grego, pólemos: luta, combate), mas também um ‘antologista’: só devorava os inimigos que considerava bravos, para deles tirar proteína e tutano para o robustecimento e a renovação de suas próprias forças naturais (...)”.
           (Oliveira, Clenir Bellezi de. Discutindo Literatura. São Paulo, ed. 16, ano 3, nº 16, p.35) 

O jogo entre as figuras do “bom selvagem” e do “mau selvagem”, no texto, revela uma oposição morfológica entre os determinantes do substantivo “selvagem”. Assinale a alternativa que também faz referência.

  • Às formas distintas pelas quais a figura do indígena era percebida pelo colonizador e pelo colonizado em uma mesma época.
  • Ao modo pelo qual um imaginário romântico acerca do indígena pode ser problematizado no contexto modernista.
  • À idealização do cenário bucólico do arcadismo que representava o lugar do “bom” enquanto o “mau” habitava nas cidades.
  • À forma estereotipada pela qual os heróis eram representados na literatura e o confronto com a construção dos heróis contemporâneos.
  • Aos imaginários responsáveis pela percepção dicotômica dos conflitos que relegavam espaços delimitados aos personagens românticos.
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