Carregava consigo um vasto cemitério.
Amigos, parentes haviam se deitado ao longo dos anos
aumentando a carga, tumba a tumba. Ora com um ora
com outro, conversava em silêncio ou em voz baixa,
sorridente, mantendo atualizada a relação, embora à
distância.
Breve, chegaria a sua vez. Mas não se
incorporaria ao seu próprio cemitério. Seria carregado
por alguém, filho ou mulher, passando a fazer parte de
outro repertório. E inquietava-se menos consigo do que
com o silêncio que, como uma hera, tomaria as lápides
com as quais havia dialogado tão longamente.
Os vocábulos “cemitério” e “repertório”, no
texto, podem ser entendidos simbolicamente,
apontando, assim, para um conjunto de:
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