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#1703839

Leia o trecho destacado do documento proposto a Manuel da Silva Ferreira pelos seus escravos no Engenho Santana, em Ilheus, Bahia, por volta de 1789, e assinale a alternativa correta:

“Meu Senhor, nós queremos paz e não queremos guerra; se meu senhor também quiser nossa paz há de ser nessa conformidade, se quiser estar pelo que nós quisermos, a saber. Em cada semana nos há de dar os dias de sexta-feira e de sábado para trabalharmos para nós, não tirando um destes dias por causa de dia santo. Para podermos viver nos há de dar rede, tarrafa e canoas. Não nos há de obrigar a fazer camboas, nem a mariscar, e quando quiser fazer camboas e mariscar mande os seus pretos Minas. Faça uma barca grande para quando for para Bahia, nós metermos as nossas cargas para não pagarmos fretes.(...) A tarefa de cana há de ser de cinco mãos, e não de seis, e a dez canas em cada feixe.(...) Os atuais feitores não os queremos, faça a eleição de outros com a nossa aprovação.(...) Os marinheiros que andam na lancha além de camisa de baeta que se lhe dá, hão de ter gibão de baeta, e todo vestuário necessário. O canavial do Jabirú o iremos aproveitar por esta vez, e depois há de ficar para pasto porque não podemos andar tirando canas por entre mangues. Poderemos plantar nosso arroz onde quisermos, e em qualquer brejo, sem que para isso peçamos licença, e poderemos cada um tirar jacarandás ou qualquer pau sem darmos parte para isso. A estar por todos os artigos acima, e conceder-nos estar sempre de posse da ferramenta, estamos prontos para o servirmos como dantes, porque não queremos seguir os maus costumes dos demais Engenhos. Poderemos brincar, folgar, e cantar em todos os tempos que quisermos sem que nos impeça e nem seja preciso licença.”

  • Podemos interpretar o documento pela boa condição que os escravos do engenho Santana desfrutavam. Ao que podemos supor, sabiam ler e escrever, podiam pescar e mariscar, brincar e folgar. Solicitam sempre poder carregar ferramenta para completar os trabalhos inconclusos em melhor hora.
  • O documento pode ser interpretado pela dificuldade que os escravos enfrentam no engenho Santana. Apesar de tudo o senhor de escravos Manuel da Silva Ferreira, parece ser bastante compreensivo com a situação ao ceder a possibilidade dos negros descreverem quais suas solicitações para terem uma vida menos sofrida.
  • O documento acima trata de uma rebelião ocorrida no Engenho Santana, também podemos supor a participação de agentes escravizados que dominavam a linguagem escrita para propor acordo com o senhor do engenho, reivindicando melhores condições de vida e de trabalho.
  • O documento traz informações relevantes sobre a relação do senhor de engenho com seus escravos. Apesar de cativos os escravos podiam aprender a ler e escrever, e quando não estavam de acordo com a situação de trabalho, se manifestavam emitindo documento para não ocorrer como as demais fazendas da região, em que fugas e castigos eram constantes.
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