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#3716266
Texto da Questão:

Leia o Texto III e responda a questão.



Texto III



O RIO DA MINHA ALDEIA  


O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,

Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha

aldeia

Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.  


O Tejo tem grandes navios

E navega nele ainda,

Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,

A memória das naus.


O Tejo desce de Espanha

E o Tejo entra no mar em Portugal.

Toda a gente sabe isso.  


Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia

E para onde ele vai

E donde ele vem. 

E por isso, porque pertence a menos gente,

É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 


Pelo Tejo vai-se para o mundo.

Para além do Tejo há a América

E a fortuna daqueles que a encontram.

Ninguém nunca pensou no que há para além

Do rio da minha aldeia.


O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.

Quem está ao pé dele está só ao pé dele.  


Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa 

Após a leitura do Texto III, é legítimo estabelecer uma relação com os dois textos anteriores. Em cada situação, há a possibilidade de leituras alternativas da mesma realidade, o que nos leva a dizer que:  

  • há uma semelhança entre os dois primeiros textos, cujos autores procuram descrever o ambiente, enquanto o terceiro é um exemplo de hibridismo textual.
  • há, no texto poético, um sentimento de pequenez em relação ao mundo, enquanto, nos demais textos, o rio é decisório no destino dos personagens.
  • há uma unidade quanto ao tema e à tipologia entre os três textos.
  • as ações se passam no mesmo cenário urbano, porém o foco narrativo é diverso.
  • os três textos são exemplos de hibridismo e multifuncionalidade textual.
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