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#2612274

“A integração pressupõe a alteridade, ou seja, a articulação de coisas diferentes e que permanecem diferentes, o que não é o mesmo que separadas. O conhecimento da “natureza primeira” – dos processos físicos, químicos e biológicos, e mais especificamente, dos processos geoecológicos que deles são desdobramentos – e o conhecimento da sociedade – mais particularmente, [...], da produção social do espaço – possuem suas especificidades epistemológicas e metodológicas, por mais que também existam convergências e uma necessidade de diálogo e cooperação. Reconhecer essa necessidade é algo legítimo e mesmo fundamental – para a ciência, em geral, e para o campo de conhecimento denominado Geografia, muito particularmente.”


Adaptado de: SOUZA, Marcelo Lopes de. Consiliência ou bipolarização epistemológica? Sobre o persistente fosso entre as ciências da natureza e as da sociedade − e o papel dos geógrafos. In: SPOSITO, E. S.; SILVA, C. A.; SANT'ANNA NETO, J. L.; MELAZZO, E.S. [org.]. A diversidade da Geografia brasileira. Escalas e dimensões da análise e da ação. 1ª ed. Rio de Janeiro: Consequência, v. 1, p. 13-56, 2016.


De acordo com as reflexões do trecho acima, é correto afirmar que:

  • a hiperespecialização dos saberes e a “verticalização” do conhecimento científico são as chaves para a compreensão do mundo, por meio do desenvolvimento de uma mais consistente capacidade analítica – caminho esse que a Geografia deve seguir para não ser acusada de ser superficial.
  • a Geografia, enquanto uma ciência puramente humana/social, deve comunicar-se com seus pares e com as Linguagens, que agregam na compreensão da diversidade do mundo, deixando que as ambições de diálogo com as ciências da natureza sejam realizadas entre elas próprias.
  • apesar de se propor uma necessária multiplicidade de leituras para a compreensão dos fatos em um mundo cada vez mais complexo, isso é algo incerto e traduz-se como um horizonte inatingível, à medida que, internamente, a Geografia deve manter sua dualidade, com uma autonomização de seus subcampos.
  • há uma solidariedade intradisciplinar que carece de atenção por parte da Geografia, rompendo as rusgas e religando as partes “Física” e “Humana” – o que é suficiente para trazer respostas à complexidade do mundo contemporâneo.
  • a Geografia, enquanto uma ciência de interface, carrega o trunfo da capacidade de “horizontalização”, referente ao investimento em (entre)cruzamentos – que são uma forma válida, necessária e estratégica de obtenção de conhecimento, contextualizando as partes da totalidade e valorizando os efeitos de sinergia.
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